Mostrando postagens com marcador Dom Pedro I. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dom Pedro I. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Dom Pedro I falece


Dom Pedro I falece no dia 24 de setembro de 1834 em Palácio De Queluz.

Dom Pedro nos seus últimos anos lutou bravamente contra as tropas absolutistas de seu irmão Dom Miguel I visando restaurar o Trono de sua filha. Com apenas sete mil e quinhentos soldados venceu os mais de 80 mil que seu irmão tinha no final de Julho de 1834. Vitorioso, exilou seu irmão e foi declarado Regente do Reino pelas Cortes em Agosto, porém caiu doente no mês seguinte.

Vítima de uma tuberculose o Duque de Bragança, ex-Imperador do Brasil, ex-Rei de Portugal e Regente do Reino de Portugal em nome de sua filha Dona Maria II, falece no Palácio de Queluz, no quarto Dom Quixote, o mesmo em que nascera, às 14 horas e trinta minutos do dia 24 de Setembro, amparado por sua esposa Dona Amélia, suas filhas Rainha D. Maria II e Dona Maria Amélia e fiéis nobres desde o dia 10 de Setembro quando os sintomas se agravaram. Dom Pedro I foi enterrado no Panteão dos Bragança, porém seu coração foi conservado por decisão sua na Igreja da Lapa no Porto.

Imagem: “retrato do Senhor Dom Pedro depois de morto”, Dias da Costa, séc. XIX, atualmente no Museu do Primeiro reinado.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Dom Pedro I abdica ao Trono do Brasil


Dom Pedro I abdica ao Trono do Brasil no dia 7 de abril de 1831 em Palácio Imperial.

Algumas razões levaram à abdicação de Dom Pedro I segundo os historiadores, entre elas o desfecho e impostos gerados com a Guerra Cisplatina, em que o Brasil mesmo ganhando em números absolutos concedeu a independência ao Uruguai, os termos do tratado de reconhecimento da Independência do Brasil, a conturbada vida pessoal do Imperador, as crescentes disputas entre o “partido português” e o “partido brasileiro” que culminaram com a “Noite das Garrafadas” em 11 de Março e sua disputa com seu irmão o Rei Dom Miguel I de Portugal.

Com tudo isso desgastando sua imagem política, o Imperador preferiu para a manutenção da paz e do próprio Império, abdicar ao Trono do Brasil em nome de seu filho, o Príncipe Imperial, Dom Pedro de Alcântara, às 3 da madrugada do dia 7 de Abril, em meio a tumultos populares.

Entregou o documento de abdicação ao Major Frias de Vasconcelos disse: “Aqui tens a minha abdicação; desejo que sejam felizes! Retiro-me para a Europa e deixo um país que amei e que ainda amo”.

Em meio a lágrimas despediu-se dos filhos que ficariam para trás, o Príncipe Imperial e as Princesas Januária, Francisca e Paula, porém sem acordá-los. Nomeou o seu amigo José Bonifácio de Andrada e Silva como tutor dos Príncipes e ainda de madrugada partiu para fragata inglesa Warspite com a Imperatriz e Dona Maria II, zarpando somente dia 13 de Abril em outra fragata, a Volage, mantendo contato com seus filhos neste meio tempo somente por emocionadas cartas.

Imagem: “A abdicação do primeiro Imperador do Brasil, D. Pedro I.”, Aurélio de Figueiredo, 1911.


domingo, 18 de setembro de 2016

Dom Pedro I casa-se com Amélia de Leuchtenberg


Dom Pedro I casa-se com Amélia de Leuchtenberg no dia 17 de outubro de 1829 em Igreja Nossa Senhora do Monte do Carmo.

Em 16 de Outubro chega ao Brasil a Duquesa de Leuchtenberg, Amélie Auguste Eugénie Napoléone de Beauharnais, filha do Príncipe Eugène de Beauharnais, enteado de Napoleão I, e da Princesa Augusta da Baviera. A Duquesa desembarcou no Brasil acompanhada da Rainha Dona Maria II após sua estada na Inglaterra. O casamento com Dona Amélia ocorreu na Capela Imperial no dia seguinte ao desembarque. Após o casamento foram realizadas cerimônias públicas de fogos de artifício e um banquete de gala e Dom Pedro I criou a Ordem da Rosa em homenagem à Imperatriz com os dizeres “Amor e Fidelidade”.

A Imperatriz Amélia era de “nobreza napoleônica” não reconhecida em muitas monarquias restauradas na Europa e sua família necessitava deste casamento para se posicionar, já o Imperador que sofreu uma série de difamações na Europa devido ao seu relacionamento com a Marquesa de Santos, do suposto ataque à Imperatriz Leopoldina e de seu posicionamento liberal não tinha muitas chances de encontrar um Princesa de Sangue Real com todas as qualidades que desejava, porém Dona Amélia era uma das princesas mais belas na Europa, mais bem educadas, virtuosas e refinadas e assim que a viu Dom Pedro se apaixonou.

Imagem: Segundas núpcias do Imperador Dom Pedro, Debret, 1829.


Dom Pedro I declara guerra à Dom Miguel


Dom Pedro I declara guerra à Dom Miguel em abril de 1829.

Em Portugal, Dom Miguel torna-se Regente do Reino em 26 de Fevereiro de 1828 em nome de sua esposa e sobrinha a Rainha Dona Maria II. No mês seguinte com apoio do Império Austríaco e do Reino da Espanha dissolve as Câmaras, já em Maio convoca os Três Estados do Reino, que não eram convocados desde o século XVII e em Julho é aclamado como legítimo Rei de Portugal, uma vez que a linhagem de Dom Pedro I é desconsiderada devido à fundação do Império do Brasil.

Neste meio tempo em que Dom Miguel usurpou o poder, Dona Maria II estava a caminho de Viena com o Marquês de Barbacena para ficar na corte do Imperador Francisco I da Áustria até o casamento formal com seu tio, ao chegarem a Gibraltar e tomarem conhecimento do golpe, não foram nem pra Portugal, tomado por seu tio, nem para Áustria, com receio da Rainha ser feita refém da corte, como seu primo o Imperador Napoleão II, logo partiram para Inglaterra. Após seis meses a Rainha retorna ao Brasil, partindo da Inglaterra em Agosto de 1829.

Imagem: "Michael I. von Portugal", Franz Xaver Stöber, 1828.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Os primeiros cursos de Direito no Brasil


São criados os cursos de Direito em São Paulo e Olinda no dia 11 de agosto de 1827.

O Imperador Dom Pedro I por meio da Lei Imperial de 11 de agosto de 1827 cria os primeiros cursos de Direito para o desenvolvimento do império. O interesse imperial era a formação de profissionais para atuarem no governo e na administração pública com o intuito de estruturar o Império Brasileiro.

Imagem: "Academia de Direito e Convento de São Francisco", Militão Augusto de Azevedo, 1862, atualmente na Biblioteca Mario de andrade.



Dom Pedro I inaugura a Academia Imperial de Belas Artes


Dom Pedro I inaugura a Academia Imperial de Belas Artes no dia 5 de novembro de 1826.

O Imperador Dom Pedro I inaugura a Academia Imperial de Belas Artes, antiga Academia Real de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura Civil, fruto da Missão Artística Francesa, em seu novo edifício projetado pelo arquiteto Grandjean de Montigny.

Imagem: "A Academia Imperial de Belas Artes", Marc Ferrez, 1891.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Dom Pedro I abdica ao Trono Português


Dom Pedro I abdica ao Trono Português no dia 2 de maio de 1826 em Palácio Imperial.

Tendo recebido as notícias uma semana antes da morte de seu pai e de sua ascensão ao trono do Reino de Portugal como Dom Pedro IV, o Imperador diante do impasse constitucional de não poder portar as duas coroas abdica em nome de sua filha a Princesa Dona Maria da Glória, como Rainha Dona Maria II de Portugal, tendo antes no curto período em que foi Dom Pedro IV de Portugal proclamado a nova Constituição da Monarquia Portuguesa em 29 de Abril, uma constituição irmã da Constituição Imperial de 1824.

Dom Pedro I arranjou o casamento de sua filha com seu irmão o Infante Dom Miguel de Bragança, tio da Rainha e no dia 29 de novembro, por procuração, os dois se casam. Sua irmã a Infanta Dona Isabel Maria manteve-se como Regente do Reino até a chegada do Infante Dom Miguel em 1828 e foi encarregada de organizar o juramento à nova Constituição pelas Cortes.

Imagem: "D. Pedro e D. Maria da Glória", L. Maurin, 1833. 


terça-feira, 13 de setembro de 2016

A Independência do Brasil é reconhecida


29 de agosto de 1825 em Rio de Janeiro.

Com mediação inglesa o Reino de Portugal e o Império do Brasil assinam o Tratado do Rio de Janeiro. O tratado assinado reconhecia a Independência do Império do Brasil dos Reinos de Portugal e Algarves, porém Dom João VI teria para si honorificamente o título de Imperador do Brasil, assim como seu filho Dom Pedro I que manteria o título tanto “de jure” quanto “de facto”.
Com a assinatura do tratado o Império do Brasil estava proibido de anexar outras colônias portuguesas que fizessem sua independência, medida esta influenciada pelos ingleses visando a diminuição do tráfico de escravos, além disso, teve que pagar uma indenização que foi calculada em dois milhões de libras esterlinas devido as armas, obras de arte e bibliotecas deixadas no Brasil. As propriedades confiscadas dos portugueses seriam restituídasaos seus antigos donos em um sinal de paz e amizade entre as duas nações.

O Tratado do Rio de Janeiro abriu o caminho para as outras nações europeias reconhecerem a independência brasileira. A independência já era reconhecida pelos EUA e pelo México e após Portugal, Inglaterra, Áustria, França, Suécia, Holanda e Prússia a reconheceram.

Imagem:"Dom João VI e Dom Pedro I", Debret, séc. XIX.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Dom Pedro I é coroado Imperador


1 de dezembro de 1822 em Igreja Nossa Senhora do Monte do Carmo.

Às nove e meia da manhã um cortejo Imperial sai do Paço de São Cristóvão precedido por uma infinidade de alas de soldados e militares, músicos, nobres e fidalgos, procuradores das províncias, autoridades eclesiáticas etc.

Dom Pedro I apareceu fardado com botas altas e com todas as suas comendas mais importantes e no altar da Capela Imperial após jurar o Evangelho e se ungido pelo bispo no braço direito, peito e espáduas , veste o Manto Imperial de veludo verde bordado em ouro, a Murça Imperial feita com penas de papo de tucano, um lembrete da indentidade do Império, e se senta no trono para a missa. Pouco antes do final da missa desce do trono e recebe a Espada Imperial, a embainha e recebe a Coroa Imperial retornando ao trono para o Te Deum. A cerimônia foi finalizada pelas salvas de tiros e as festas populares.

Imagem: A Coroação de Dom Pedro I, Debret, 1828, atualmente no Acervo Artístico do Ministério das Relações Exteriores.


Dom Pedro I é aclamado Imperador


12 de outubro de 1822 em Rio de Janeiro.

Em 12 e Outubro no Campo de Santana o Príncipe Regente é aclamado por uma multidão incalculável, como citam os registros da época.

Um grande cortejo composto pelas carruagens do Imperador e outras duas com autoridades e seus camaristas, a guarda de honra de soldados paulistas e fluminenses e oito batedores saíram do Paço de São Cristóvão e seguiram para o palacete especialmente construído para a ocasião no meio do Campo de Santana. Lá, com toda nobreza e autoridades civis, militares e eclesiásticas, o Presidente do Senado da Câmara constatando o desejo universal ofereceu os títulos de Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil à Dom Pedro e com sua aceitação seguiu-se a aclamação legal e solene e esta seguida por vivas do povo abaixo. Dom Pedro I chorou de emoção assim como vários dos populares que o aclamavam.

Cento e um tiros de canhão foram disparados e de lá o cortejo segui para um Te Deum na Capela Imperial, o Imperador seguiu a pé acompanhado pela multidão e seu séquito de autoridades e nobres passando por arcos triunfais construídos para a cerimônia enquanto das casas flores eram atiradas.

Imagem: A Aclamação de Dom Pedro I, Debret, 1822.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Dom Pedro I institui os Símbolos Nacionais


18 de setembro de 1822 em Paço Imperial.

O Escudo de Armas e a Bandeira criados por Jean-Baptiste Debret para o pavilhão pessoal do Príncipe Regente, com a Independência tornam-se símbolos nacionais do então Reino do Brasil pelo Decreto de Dom Pedro. A partir daquele o escudo de Armas nacionall seria “em campo verde uma Esphera Armilar de ouro atravessada por uma Cruz da Ordem de Christo, sendo dirculada a mesma Esphera de 19 Estrellas de prata em uma orla azul; e firmada a Corôa Real diamantina sobre o Escudo, cujo lado serão abraçados por dous ramos das plantas de Café e Tabaco” e a Bandeira Nacional “composta de um paralelogrammo verde, e nelle inscripto um quadrilatero rhomboidal côr de ouro, ficando no centro deste o Escudo das Armas do Brazil”.

Nota-se que a coroa do Escudo de armas não seria mais a do Reino a partir de Dezembro, sendo trocada pela Coroa Imperial.

Imagem: Bandeira do Império do Brasil com 19 estrelas. (1822-1870)


Dom Pedro I declara a Independência do Brasil


7 de setembro de 1822 em São Paulo.

Após apaziguar um levante de tenentes portugueses na província de Minas Gerais, onde foi aclamado calorosamente, Dom Pedro I em 14 de Agosto vai à província de São Paulo apaziguar a situação política da província, tendo sido recebido por todo lugar que passava com grande festa e grandes homenagens. Durante o período que esteve em São Paulo o Príncipe Regente recebeu delegações, compareceu a solenidades, organizou um beija-mão e presideu a escolha do novo governo provisório da província. Durante este ínterim como Regente do Reino do Brasil estava a Arquiduquesa Dona Leopoldina e o ministro José Bonifácio de Andrada e Silva.

Em 28 de Agosto aportou no Rio de Janeiro o navio Três Corações com notícias de Portugal entre elas a de que o Príncipe Regente Dom Pedro I tinha sido rebaixado ao cargo de delegado e que suas decisões estavam anuladas. Em cinco dias uma carta de Dona Leopoldina e de José Bonifácio trazidas por Paulo Bregaro chegou até Dom Pedro I, no caminho entre São Paulo e Santos no riacho do Ipiranga, com as informações da capital.

Dom Pedro I colérico com as notícias teria pisado nas cartas, arrancado as insignias portuguesas de seu chapéu e às 16 horas e 30 minutos e segundo a lenda teria bradado “Viva a independência e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou morte!”

Imagem: "Independência ou Morte!", Pedro Américo, 1888, atualmente no Museu Paulista.



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A independência do Brasil


"As Cortes de Portugal querem nos escravizar! De hoje em diante as nossas relações estão cortadas! Eu nada mais quero do governo de Lisboa! Nenhum laço nos une mais! Pelo meu sangue, pela minha honra e pelo meu Deus, juro promover a independência do Brasil! INDEPENDÊNCIA OU MORTE!!!"

E foram com essas palavras, no dia 7 de setembro de 1822, que foi proclamada a independência do Brasil. E com isso, o Príncipe-Regente Dom Pedro tornar-se-ia o primeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo deste imenso Império do Brasil.

Após a Revolução Liberal em Portugal em 1820 exigir o retorno da Família Real Portuguesa, então no Brasil, para Lisboa - o que ocorreu em março de 1821, Sua Majestade El-Rei Dom João VI nomeou seu filho e herdeiro, Príncipe Dom Pedro, como Regente do Reino do Brasil, permanecendo no Rio de Janeiro.

Mais tarde, entretanto, isso não agradou nem um pouco as cortes portuguesas, que tinham como objetivo rebaixar o Brasil novamente à condição de colônia de Portugal - sendo que o Brasil estava, desde 1815, em condição igual de união real com sua ex-metrópole, Portugal - ambos Reinos constituintes do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Ao final de 1821, começo de 1822, as cortes de Portugal exigiram o retorno do Príncipe Dom Pedro e mandaram tropas ao Brasil para que isso fosse realizado. Em 9 de janeiro de 1822, após receber um abaixo-assinado contendo mais de 8000 assinaturas de moradores do Rio de Janeiro pedindo por sua permanência, Dom Pedro proferiu a frase que marcaria o dia na história:

"Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico!"

Este dia ficou conhecido como 'Dia do Fico'. Após isto, o Príncipe ordenou às tropas enviadas pelas cortes para que retornassem À Portugal e avisassem de sua permanência na terra que aprendeu a amar, para lutar pelo povo que o abraçou.

Diante das respostas negativas e ameaças de Lisboa, enquanto Dom Pedro viajava pelas províncias do Reino, não havia outra alternativa. Sua esposa, Leopoldina de Habsburgo, Regente do Reino durante a ausência de seu marido na capital, assinou, em 2 de setembro de 1822, junta dos ministros de estado, o decreto que declarava formalmente a independência do Brasil, e o fez correr para que chegasse o mais rapidamente possível às mãos de Pedro, em São Paulo.

No dia 7 de setembro de 1822, voltando de Santos, parado às margens do rio Ipiranga, Dom Pedro recebeu três cartas: Uma de seu pai, El-Rei de Portugal, com ordens para que voltasse para Portugal, se submetendo às Cortes. Uma de José Bonifácio, o aconselhando a romper com Portugal, e a outra de sua esposa Leopoldina, apoiando a decisão do ministro e advertindo:
"O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece".

Dadas as circunstâncias críticas em que se encontravam o Brasil, Dom Pedro fez valer o decreto assinado por sua esposa Regente e pelos Ministros 5 dias antes. Estava proclamada a independência do Brasil pelas palavras ditas ao início do texto.

Estava fundado o Império do Brasil.




sábado, 30 de julho de 2016

A noite da agonia - Assembleia Constituinte de 1823


A primeira Assembleia Constituinte do Brasil foi instalada em 3 de maio de 1823, sob a presidência do Bispo Capelão-Mor, D. José Caetano da Silva Coutinho. As atividades da Assembleia se encerraram com sua dissolução pelas forças policiais do Imperador Dom Pedro I do Brasil, na madrugada de 12 de novembro de 1823, episódio conhecido como a noite da agonia.

A Ata da 1ª sessão da Constituinte do Império, instalada em 3 de maio de 1823, descreve os detalhes do cerimonial, da recepção do Imperador, sua mensagem, as palavras do Bispo Capelão-Mor. Dom Pedro I, ao entrar na sala da Assembleia, pronunciou o famoso discurso conhecido como Fala do Trono. Fala dramática, pois Dom Pedro se referia ao perigo de um colapso da pátria, à ameaça das facções, à necessidade de salvação para honra e glória da nação emergente.

A Assembleia Constituinte foi dissolvida pelo Imperador durante a noite da agonia, na madrugada de 12 de novembro de 1823, antes que pudesse concluir os debates e a deliberação sobre o projeto de Constituição que estava a elaborar, conhecido como "Constituição da Mandioca". No episódio da dissolução, as forças de Pedro I prenderam opositores, que foram logo deportados, por exemplo os irmãos Andrada, incluindo José Bonifácio de Andrada, patriarca da independência. No dia seguinte, o Imperador nomeou para o Conselho de Estado pessoas de sua confiança, que deveriam concluir a portas fechadas o trabalho iniciado pela Assembleia Constituinte. O resultado foi apresentado ao Imperador em 11 de dezembro de 1823. Em 25 de março de 1824, foi jurada a Constituição do Império sem submissão a nova Assembleia.

Quando da dissolução da Assembleia Constituinte, Pedro I afirmou que convocaria outra, "que deverá trabalhar sobre o projeto da constituição, que Eu lhe hei de breve apresentar, que será duplicadamente mais liberal do que a extinta Assembleia acabou de fazer". Como mencionado, o compromisso não se tornou efetivo.

A origem do Conselho de Estado que apresentou o projeto de Constituição está na lei de 20 de outubro de 1823, que extinguira o Conselho de Procuradores e instituíra os Ministros como conselheiros de Estado natos. José Joaquim Carneiro de Campos, futuro Marquês de Caravelas, é tido como o principal autor do texto elaborado pelo Conselho de Estado e que no ano seguinte seria outorgado pelo Imperador.

Imagem: Câmara dos Deputados cercada pelo Exército após ser dissolvida a assembleia constituinte a 12 de novembro de 1823 - trecho do filme Independência ou Morte (1972)



quinta-feira, 14 de julho de 2016

Coroação de Dom Pedro I


No dia 1° de dezembro de 1822, o não mais Príncipe-Regente, intitulado Rei do Brasil por seus aliados, Dom Pedro de Alcântara, é coroado Imperador do Brasil.

"Por graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Sua Majestade Imperial Dom Pedro I, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil"

Após ser assinado o decreto de independência do Brasil por sua esposa Dona Leopoldina a 2 de setembro, e ser proclamada a independência por ele a 7 de setembro, Dom Pedro foi coroado o primeiro monarca, tornando-se o primeiro chefe-de-estado e chefe-de-governo do Brasil como um país independente, sem quaisquer ligações com outra nação.

A cerimônia foi realizada na Igreja de Nossa Senhora do Monte Carmo, a época Sé Imperial, no centro do Rio de Janeiro.

Foi fundado um Império, não um Reino, justificado pelas dimensões territoriais do país e para diferenciar os Bragança que reinariam sobre o Brasil dos que já reinaram e reinavam então em Portugal.

Imagem: Coroação de Dom Pedro I por Jean-Baptiste Debret



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Dia do Fico


"Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico!"

Estas foram as palavras proferidas por Sua Majestade Imperial o Imperador Dom Pedro I no dia 9 de janeiro de 1822, quando era então Príncipe-Regente do Reino do Brasil. 

Com a eclosão da Revolução do Porto em 1820, as Cortes Portuguesas exigiram o retorno da Família Real à Portugal.
O Rei Dom João VI partiu em 1821 deixando no Reino do Brasil seu filho, o Príncipe Dom Pedro, como Regente.

Por volta de 1821, quando as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa mostraram a ideia de transformar o Brasil de novo numa colônia, os liberais radicais se uniram ao Partido Brasileiro tentando manter a autoridade e autonomia política e econômica do Brasil.

As Cortes mandaram uma nova decisão enviada para o Príncipe-Regente Dom Pedro. Uma das exigências era seu retorno imediato a Portugal.

Os liberais radicais do Partido Brasileiro, em resposta, organizaram uma movimentação para reunir assinaturas a favor da permanência do príncipe. Assim, pressionariam Dom Pedro a ficar, juntando 8 mil assinaturas. Foi então que, contrariando as ordens emanadas por Portugal para seu retorno à Europa, declarou para o público a frase do início, pela qual então o dia 9 de janeiro de 1822 passou a ser conhecido e chamado de o 'dia do fico'.

A partir daí, Dom Pedro entrou em conflito direto com os interesses portugueses, para romper o vínculo que existia entre Portugal e o Brasil.

Este episódio culminou com a declaração de independência do Brasil, que viria a ser proclamada em 7 de setembro de 1822, fundando o Império do Brasil com Dom Pedro coroado Imperador.





Imagem: Uma outra perspectiva visual artística do 'Dia do Fico'



segunda-feira, 6 de junho de 2016

O hino da Independência do Brasil


O Hino à Independência do Brasil, cuja letra foi composta por Evaristo Veiga em Agosto de 1822, quando o processo de secessão política e social entre Brasil e Portugal que levaria ao Grito do Ipiranga estava em seu ápice, traz consigo uma parte importante da História de nossa Pátria.

Mal Dom Pedro I fez a proclamação da Independência, no caminho de Santos para São Paulo, tratou de compor a melodia na mesma tarde de 7 de Setembro de 1822: a urgência reflete o caráter emergencial que todas as ações do prematuro governo imperial de Pedro I tomariam nos primeiros anos de Brasil, pois qualquer dia perdido em descanso era um dia a mais para Portugal, províncias mais atreladas à metrópole portuguesa e até mesmo lusitanos residentes nas grandes cidades brasileiras organizarem sua resistência aos independentistas.

A escolha da letra pela do "Hino à Independência" de Evaristo da Veiga deve-se claramente à noção de um patriotismo brasileiro que não existia de fato à época, exaltando os habitantes da colônia portuguesa como brasileiros que deviam ser a muralha do próprio Brasil face aos grilhões da dominação portuguesa, criando assim a ideia de um dever da população para com a causa da Independência. Ao enaltecer o povo e não aspectos físicos e/ou territoriais e nem mesmo ideológicos, é forjado um conceito novo entre pernambucanos, paraenses, cariocas e os demais colonos da América Portuguesa: o "ser brasileiro".

O hino teria grande prestígio e seria muito relacionado à figura de Pedro I do Brasil. Tão ligados estavam o Imperador e o hino que, quando declina a figura de um, o outro cai em desgosto pela população. Isso ocorre a partir do ano de 1831, com a abdicação em favor de Pedro de Alcântara, que tinha cinco anos quando do ocorrido, e a fuga para Portugal, onde travaria com o irmão, Miguel, as Guerras Liberais (sobre as quais já falamos aqui na página). Então, o hino é trocado (não oficialmente) pela melodia sem letra do Hino Nacional atual. Foi o Hino Nacional Brasileiro durante o Império do Brasil.

IMAGEM= "Os Primeiros Sons do Hino Nacional", por Augusto Bracet (que não é contemporâneo de Dom Pedro I).




Hino da Independência do Brasil



domingo, 5 de junho de 2016

Dom Pedro I - O libertador


Neste dia 12 de outubro, no ano de 1798, há exatos 217 anos, nascia o Príncipe Português Dom Pedro de Alcântara, que viria a se tornar, neste mesmo dia 12 de outubro, porém no ano de 1822, o 1° Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

Dom Pedro nasceu no Palácio de Queluz em Lisboa, Portugal, filho do então Príncipe-Regente e futuro Rei Dom João VI de Portugal com a Infanta espanhola D. Carlota Joaquina, durante o reinado de sua avó a Rainha Dona Maria I.

O jovem príncipe passou sua infância no mesmo palácio onde nascera, convivendo com sua avó - a Rainha - completamente insana, com sua mãe que não lhe dava muita atenção, além de seu amado irmão caçula - o futuro Rei Dom Miguel I de Portugal, e com seu pai que o estimava muito e o considerava seu filho predileto.

Devido a Guerra Napoleônica e a iminente invasão de Portugal pelo Império Francês, temendo sofrer o mesmo destino de encarceramento que sofreu a Família Real Espanhola, o Príncipe-Regente Dom João ordenou a mudança de toda a corte portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro na então Colônia do Brasil, desembarcando nesta em 1808. Dom Pedro completaria 10 anos neste ano.

Já no Brasil, a Família Real Portuguesa instalou-se no Palácio de São Cristóvão. Durante toda a sua infância Pedro fora apaixonado pela música e nutria predileção pela carreira militar. Era muito afeiçoado à seu irmão, com quem brincava formando pequenos regimentos compostos por amigos que se combatiam simulando exércitos. As principais atividade do herdeiro da Coroa Portuguesa até os seus 16 anos (1814) foram exercícios físicos, equitação e marcenaria. Na mocidade, Dom Pedro se divertia indo às tavernas do Rio de Janeiro, onde conheceu seu grande amigo conhecido como "Chalaça".

Dom Pedro recebeu uma educação considerada "austera e grave". Sabia, além do nativo português, latim, francês e compreendia o inglês e o alemão. Foi catequizado desde cedo, recebeu aulas de música e artes. Inclusive, compôs diversas músicas como o Hino da Independência do Brasil e o Hino à Carta, que foi o hino nacional do Reino de Portugal de 1834 até o fim da monarquia portuguesa em 1910. Diferente do que dizem muitos livros tendenciosos, Dom Pedro não só não era um semianalfabeto bruto, mas mesmo que nã tenha recebido a educação necessária para se tornar um chefe de estado, fora muito bem alfabetizado. Pedro tinha clara noção da falha em sua educação e buscava aconselhar tantos os seus filhos legítimos como os ilegítimos a estudarem e não cometerem o mesmo erro que ele próprio cometera. Sabia também do valor da educação e uma de suas primeiras medidas como regente fora a extinção de qualquer tributação sobre livros importados e a abolição da censura prévia. Criou cursos jurídicos e relegou ao Estado a obrigação de manter escolas primárias.

O Príncipe era considerado bonito e charmoso, e ainda simpático e extremamente simples, sempre trabalhando com as próprias mãos enquanto a sociedade considerava trabalho manual serviço de escravos. Pedro fazia questão de manter uma relação direta com o povo e sentia prazer em estar entre gente comum, muitas vezes era visto conversando com cidadãos e até mesmo aprendendo artes tribais com escravos, como a capoeira.

Dom Pedro não acreditava em diferenças raciais e muito menos em uma presumível inferioridade do negro. O imperador deixara clara a sua opinião sobre o tema: "Eu sei que o meu sangue é da mesma cor que o dos negros". Era também completamente contrário à escravidão e pretendia debater com os deputados da assembleia constituinte uma forma de extingui-la. Acreditava que a melhor maneira de eliminar a escravidão seria gradativamente em conjunto com a imigração de trabalhadores europeus para substituir a mão-de-obra que viria a faltar. Dom Pedro tinha noção de que não detinha meios de abolir a escravidão a não ser convencendo a sociedade brasileira, convictamente escravocrata. E não somente os ricos possuíam escravos, como se pensa. Até pessoas humildes juntavam o pouco que tinham para comprar escravos.

Em 1818, quando tinha 19 anos, casou-se com a Arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, nascida também Princesa do finado Sacro Império Romano-Germânico, filha do último Sacro Imperador Romano e 1° Imperador da Áustria Francisco II e I. A cerimônia foi realizada na Igreja de Santa Ifigênia. Do enlace matrimonial nasceram, dentre outros, a futura Rainha Dona Maria II de Portugal e o futuro Imperador Dom Pedro II do Brasil. Dom Pedro frequentemente traía a esposa. O caso mais notório é com Domitila de Castro Canto e Melo, à quem tornou Marquesa de Santos. Entretanto, Dom Pedro sempre fora muito cortês e amoroso para com sua esposa, e quando esta faleceu em 1826, Dom Pedro terminou todos os seus casos. Casou-se em 1829 com Amélia de Leutchenberg, Princesa da Baviera, com quem teve uma filha. Amélia sempre fora muito amorosa com todos os filhos de Pedro, tanto com os legítimos de Leopoldina, quanto com os bastardos com a Marquesa de Santos, ainda que estes últimos não fossem considerados Príncipes do Brasil. Dom Pedro foi, acima de tudo, um exímio pai. Sempre muito atencioso e carinhoso com todos seus filhos legítimos e ilegítimos. Mandou despachar um decreto concedendo títulos nobiliárquicos à seus filhos ilegítimos, o tratamento por "Sua Alteza Sereníssima", e deu-lhes, como aos legítimos, uma ótima educação.

Após a Revolução do Porto em 1820 e o retorno da Família Real Portuguesa para Lisboa em 1821, Dom Pedro foi nomeado por seu pai El-Rei Dom João VI como Príncipe-Regente do Reino do Brasil. Diante do pedido dos brasileiros pelo temor de terem seu Reino rebaixado à Colônia pelas novas cortes de Portugal, contrariando as ordens desta, o Príncipe Dom Pedro decidiu, em 9 de janeiro de 1822, ficar no Brasil. Todos os acontecimentos ocorridos a partir de então levaram a uma medida drástica. Em 7 de setembro de 1822, após receber uma carta de sua esposa Leopoldina em São Paulo dizendo-lhe que havia assinado o decreto de independência 5 dias antes, Dom Pedro proclamou a independência do Reino do Brasil às margens do Rio Ipiranga. No mês seguinte, na comemoração de seu 24° aniversário, fora aclamado como Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, criando então o Império do Brasil. No dia 1° de dezembro do mesmo ano, foi coroado como tal na Igreja de Nossa Senhora do Monte Carmo, então Sé Imperial.

Dom Pedro tratou logo de organizar uma Assembleia Constituinte para criar uma Constituição para o Império independente. Entretanto, a primeira constituinte queria exclui-lo de qualquer participação política, tornando-o mera figura ilustrativa. Contrariando isto, Dom Pedro dissolveu a assembleia em 1823 e convocou uma nova, que em 1824 promulgou a primeira Constituição do Brasil, a mais longa vigente em toda a história (até 1889). Pedro havia lembrado aos deputados que a Constituição deveria impedir todo e qualquer abuso de poder não só por parte dos políticos, mas por parte do próprio monarca, além claro da população. A Constituição Imperial de 1824 foi considerada uma das mais democráticas e avançadas de seu tempo, baseada nas constituições francesa de 1792 e espanhola de 1812.

Após liderar uma guerra para a expulsão das tropas portuguesas no Brasil até 1824, finalmente em 1825, com um acordo mediado pelo Reino Unido, Portugal de seu pai reconheceu o Brasil independente. Com a morte do Rei Dom João VI em 1826, D. Isabel, irmã de Pedro e Regente de Portugal o aclamou como legítimo herdeiro, como seu pai o considerava mesmo após a independência do Brasil, e portanto, Rei de Portugal com o nome de Dom Pedro IV. Entretanto, Dom Pedro já era Imperador do Brasil, não podia pegar a coroa de outro reino. Então ele promulgou uma nova constituição para o Reino de Portugal e abdicou de seu direito ao trono português em favor de sua filha D. Maria da Glória, visto que sue filho Dom Pedro já era o herdeiro presuntivo do trono brasileiro. Dom Pedro acordou em permitir que seu irmão Dom Miguel, anteriormente banido de Portugal por traição à seu pai, retornasse a Portugal como Regente e casasse com sua filha D. Maria quando esta fosse maior. Entretanto Dom Miguel deu um golpe, derrubou a Rainha D. Maria II de seu trono e foi aclamado pela corte como Rei Absoluto de Portugal. Enquanto isso, no Brasil enfrentava uma guerra secessionista na província Cisplatina contra as Províncias Unidas do Rio da Prata. Incapaz de lidar com os problemas do Brasil e de Portugal ao mesmo tempo e já possuindo um herdeiro certo para seu trono no Brasil, Dom Pedro abdicou do Trono Brasileiro em 1831 e partiu para Portugal para restaurar o Trono de sua filha. Chegando aos Açores, Dom Pedro organizou um exército com apoio do Reino Unido e da França e travou a chamada Guerra Liberal contra seu irmão absolutista Dom Miguel. Com a fim da guerra e a vitória liberal em 1834, Dona Maria II voltou ao torno português tendo seu pai, sob o título de Duque de Bragança, como regente. Poucos meses após o fim da guerra, Dom Pedro faleceu de tuberculose em 24 de setembro de 1834 no mesmo quarto onde nascera no Palácio de Queluz, aos 36 anos.



Proxima  → Página inicial