Mostrando postagens com marcador Império do Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Império do Brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de março de 2017

Manifesto de 1935


[Publicamos o “Manifesto de 1935”, escrito a 23 de outubro daquele ano, em Mandelieu, por S.A.I.R. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981. Transcrevemos o referido documento a partir da cópia publicada no livro “Dom Pedro Henrique, o Condestável das Saudades e da Esperança”, de autoria do Prof. Armando Alexandre dos Santos, extraído “Correio da Manhã”, órgão republicano do Rio de Janeiro, em sua edição de 26 de janeiro de 1936, que intitulou a matéria “Um manifesto do sr. Pedro Henrique contra a República” e a fez preceder da seguinte nota: “A título apenas de informação, publicamos abaixo o manifesto que de Mandelieu acaba de dirigir aos brasileiros o sr. Pedro Henrique, herdeiro presuntivo do trono brasileiro”. O “Manifesto” foi amplamente difundido em todo o Brasil, com exceção somente do Estado de São Paulo, onde foi proibido pela censura governamental, que alegou sua “linguagem forte”, conforme noticiado pelo “Diário de Pernambuco”, do Recife, em sua edição de 12 de fevereiro de 1936.]

Aos Brasileiros
Em seu Manifesto de 12 de janeiro de 1896, os venerandos chefes do partido monarquista dirigiam à Nação as seguintes palavras:
“A subversão do nosso regime político a 15 de novembro, rápida e instantânea como efeito de cataclismo, não permitiu que se lhe opusesse imediata resistência ativa... Suprimidas desde logo as liberdades públicas, as amplas liberdades sob as quais nasceu e vivia o Império Brasileiro, e mais tarde destruída ou reduzida ao silêncio a imprensa que se aventurou a moderadas censuras, era de fato inútil qualquer esforço para que a vontade nacional saísse de urnas eleitorais cavilosamente preparadas para as mais ousadas burlas por regulamentação ‘ad-hoc’. Nestas circunstâncias, só restava aos monarquistas esperar pelas promessas da República, ruidosamente afirmadas na mesma ocasião em que se fazia retumbar por toda parte a infamação da Monarquia. Se aquela, apesar do vício original, entregue a si mesma, sem cooperação suspeita, nem o menor entrave dos adversários naturais, conseguisse mostrar-se benéfica, não haveria, a começar pela Família Imperial, um só obstinado que se recusasse e deixasse de agradecer a melhoria. Mas, decorridos quase sete anos, a consciência pública, o foro íntimo dos próprios republicanos de boa fé compara os fatos e só registra decepções e desastres.”
“Essas palavras de justiça e de patriotismo, escritas em 1896, poderíamos repeti-las hoje, com a autoridade que lhes conferem mais dezoito anos de desvarios e de desmandos, dezoito anos de uma experiência desastrosa para as instituições implantadas no Brasil pelo ato inconseqüente de alguns revoltosos” – acrescentava em 1913 o meu inolvidável e saudoso Pai, o “Príncipe Perfeito”, assim chamado pela generosidade dos nossos patrícios.
Pacientes, esperamos mais 22 anos em vão. Ao invés, assistimos aos vexames sem conta infligidos à nossa Pátria estremecida.
Hoje, porém, faz-se sentir um sopro de reação contra tantas misérias; o povo, farto de ser explorado pelo atual regime, procura novo caminho, e muitos volvem saudosos as vistas para os tempos felizes do Império; acudindo ao apelo dos seus chefes legítimos, os monarquistas erguem a cabeça. Chegou a hora de pedir-se contas à República, pondo nas conchas da balança os serviços que ela tem podido prestar ao País e os sacrifícios que dele tem exigido. Infelizmente para a nossa Pátria, a experiência das instituições que lhe forma impostas não lhe têm trazido, no largo período que medeia de 1889 a 1935, senão desastres e decepções. Se despirmos o corpo da Nação das roupagens ilusórias com que os nossos adversários a têm adornado, encotra-lo-emos cheio de fundas chagas que urge curar para lhe restituirmos a formosura primitiva.
O Brasil não precisa somente de homens que compreendam a situação e possam encaminhar a solução dos grandes problemas que se impõem ao nosso estudo. Precisa, também, de instituições que permitam a esses homens realizar os seus programas. Não necessitamos de estéreis lutas pessoais ou políticas, mas sim de idéias claras, lógicas, definitivas e proveitosas – Gesta, non verba! (atos, não palavras!) – que importem na satisfação exata de nossas conveniências atuais e futuras. O que nos importa não é a vitória de tal ou tal grupo, mas a formação de um Brasil grande, forte e próspero.
A Monarquia não é um partido, é uma solução nacional. Nós, os monarquistas, não exibimos nomes, mas idéias claras e princípios definidos.
Temos um programa, já delineado no primeiro Manifesto, de 1909, do meu saudoso Pai, cujas diretrizes parecem ter por vezes influído nos constituintes de 1934, mormente no que se refere à justiça e à legislação social.
Esse programa esperamos realizá-lo nas suas linhas gerais, alterando-o somente no que for necessário e chamando a nós todos os brasileiros de boa vontade, sem distinção de partido, preocupados unicamente com o bem do País, com o seu desenvolvimento material, intelectual e moral.
Nossas diretivas gerais devem constituir a caudal em que vêm se fundir as aspirações das diversas facções nacionais, que partilham dos nossos postulados ou com eles simpatizam. Nessa caudal, ainda que por vezes agitada pela tormenta, não há lugar para lutas entre seus afluentes, pois ela os vai unificando no decorrer da sua rota. As águas se interpenetram e se fundem de tal modo que, pouco depois de vencida a sua foz e por mais violentamente coloridas que sejam, constituem um todo homogêneo, em que não se distingue mais as divergências originais, mas sim uma grande mole coesa, em que cada elemento contribui para o fim comum.
A grave lição de 45 anos de regime inadaptável está a indicar que, dentro das instituições vigentes, não há solução possível para a nossa Pátria. A República está morta, não somente por nós, monarquistas, mas pelos próprios republicanos. A nossa principal propaganda tem sido a evidência dos fatos, a força da verdade.
Se, livres de preocupações quanto ao futuro da nossa nacionalidade, nos devêssemos contentar com a abolição de um regime desastrado, só teríamos que cruzar os braços e esperar. Há, porém, grande interesses nacionais, de ordem moral e econômica, que correm risco de ser sacrificados, se continuarmos a ficar arredados de toda discussão e intervenção nas cousas públicas, pois devemos partir do princípio que tudo quanto é nacional é nosso.
A Monarquia não deve erguer-se sobre cinzas. Para que seja benéfica deve encontrar ainda os alicerces necessários à sua ação. Para isso contamos com o valor e o bom senso do povo brasileiro, que, nas crises difíceis que nosso País já atravessou e está atravessando, sempre soube guardar intactas a integridade e a honra nacionais.
As boas causas têm força intrínseca e tão grande que, sem o concurso de uma imprensa partidária, sem propaganda persistente e metódica, assistimos hoje ao renascimento triunfante da ideia monarquista, considerada antes de 1909 como mera utopia. A Monarquia não se traduz por saudosismo, como tentam fazer crer os nossos adversários, pois é justamente por ser instável que o Estado falta em competência e meios, material e economicamente, e pelo mesmo motivo será sempre tentado a confiscar as liberdades, que não está em condições de orientar com autoridade bastante. Por não estar em condições de concebê-lo e assegurá-lo, o Estado confunde o interesse geral com o seu interesse político, identificando-o com o interesse sempre variável, da facção dirigente.
Eis o papel que cumpre à Monarquia, pois o Chefe de Estado não tem partido, nem ambições pessoais distintas da universalidade; não tem eleitores nem bairrismo. Compreendido na própria entidade nacional, o bem público é o seu próprio bem. Quanto a mim, colocado pelo falecimento do meu inolvidável Pai, à testa do nosso partido, representante, depois dele, do princípio monárquico no Brasil, estarei sempre à disposição da nossa Pátria para desempenhar o papel que, por unânime consenso da Nação, nos foi outrora atribuído.
Deus vos preste o seu auxílio, para o maior bem do Brasil!
Viva o Brasil!

Pedro Henrique
Mandelieu, 23 de outubro de 1935

Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981




domingo, 30 de outubro de 2016

O Príncipe Imperial Dom Luís Maria publica seu segundo manifesto


O Príncipe Imperial Dom Luís Maria publica seu segundo manifesto no dia 6 de agosto de 1913 em Montreux.

O Príncipe Imperial Dom Luís Maria escreveu e enviou ao Diretório Monárquico do Rio de Janeiro um segundo manifesto, desta vez, endereçado a todos os Brasileiros.

No documento Dom Luís Maria trata sobre o grande progresso que país vinha ganhando nos anos finais do Império, exalta a reforma da Capital Federal realizada pelo governo republicano transformando-a em uma das mais belas cidades, porém ressalta os perigos deste governo.

O Príncipe Imperial mostra que a República é contra nossos costumes e tradições e que tem sido injusta com o povo brasileiro, pois negligenciou o Norte, tendo atenções aos estados do Sul devido ao grande esforço industrial, levando a uma luta ineficaz contra as oligarquias que resultou em revoltas sangrentas. O Príncipe ainda acusa a descentralização da Justiça, as despesas enormes do governo, a falta de economia com o dinheiro do contribuinte e retoma os mesmos assuntos tratados pelo seu Manifesto de 1909, fazendo um balanço entre aquela data e esta.

Dom Luís chega a conclusão que o Exército fora sucateado, o povo desinstruído e as instituições nacionais desmoralizadas, ou seja, em 23 anos de República todos os avanços iniciados pelo Império não tiveram continuidade.

O Príncipe retoma o programa da Casa imperial do Brasil: “Monarquia hereditária, sob a forma federativa; Constituição e reorganização de um exército e de uma marinha proporcionais à população do nosso vasto território e às nossas dilatadas costas marítimas, e vias fluviais; luta contra o analfabetismo pela instrução primária obrigatória; justiça unitária e independente; desenvolvimento da Viação; expansão do comércio e da indústria; fomento de imigração e de grandes empresas estrangeiras (ressalvados os direitos dos atuais habitantes do país); delimitação exata das atribuições dos três poderes; enfim, a mais ampla liberdade eleitoral, o respeito dos direitos das minorias, e a formação de partidos sólidos com programas definidos, superiores às subalternas considerações de interesse pessoal.”

Jura sua disposição à Pátria e resume no meio de seu texto o governo vigente: “A República Brasileira tem sido o governo de poucos contra todos e para poucos. Em um país essencialmente democrático como o nosso, a condição do povo não tem merecido a mínima atenção.”

Imagem: “Luís, Príncipe Imperial do Brasil”, Pierre Petit, 1909.



Nasce a Princesa Pia Maria de Orléans e Bragança


Nasce a Princesa Pia Maria de Orléans e Bragança no dia 4 de março de 1913 em Boulogne-Billancourt.

A Princesa Dona Pia Maria Raniera Isabela Antonieta Vitória Teresa Amélia Gerarda Raimunda Ana Miguela Rafaela Gabriela Gonzaga de Orléans e Bragança e Bourbon, filha do Príncipe Imperial Dom Luís Maria e da Princesa Dona Maria Pia das Duas-Sicílias, nasceu em Boulogne-Billancourt, na casa de Paris da Família Imperial, em 4 de Março de 1913.

Durante sete anos, entre 1931, com o falecimento de seu irmão mais velho Dom Luís Gastão, e 1938, com o nascimento do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil Dom Luiz Gastão, seu sobrinho, Dona Maria Pia foi intitulada Princesa imperial do Brasil.

A Princesa Dona Pia Maria passou a ser intitulada Condessa de Nicolay devido ao seu casamento com o Conde René Jean Marie Nicholas de Nicolay em 1948. Desta união nasceram dois filhos, sem direitos de sucessão ao Trono pelo casamento ter sido morganático, Louis-Jean de Nicolay, Marquês de Goussainville, casado com a Condessa Barbara Marie Anne d'Ursel de Bousies, tendo descendência, e Robert Marie Pie Benoit de Nicolay, casado com a Princesa Nathalie Laetitia Jeanne Yvonne Marie de Murat, tendo descendência.

O seu segundo filho, Robert Marie de Nicolay, teve relevância na política Francesa, sendo Conselheiro Referendário da Corte de Auditores e alcançando o cargo de Ministro de Estado.
A Condessa de Nicolay, Princesa Pia Maria do Brasil, faleceu no Castelo du Lude, aos 87 anos, em 24 de Outubro de 2000.

Imagem: Dona Pia Maria no colo de sua avó, a Princesa Isabel, cercada pelo seu avô, Conde d'Eu, pais e irmãos.


terça-feira, 25 de outubro de 2016

O Príncipe Dom Luís Gastão Antônio de Orléans e Bragança


Nasce o Príncipe Dom Luís Gastão Antônio de Orléans e Bragança no dia 19 de fevereiro de 1911 em Cannes.

O Príncipe Dom Luís Gastão Antônio Maria Filipe Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Bourbon, segundo varão do Príncipe Imperial Dom Luís Maria e da Princesa Dona Maria Pia das Duas-Sicílias, nasceu em Cannes no modesta Vila Maria Teresa, o palacete de exílio de seus avós maternos o Conde e a Condessa de Caserta.

O Príncipe foi elevado a Príncipe Imperial com o falecimento de sua avó, a Princesa Dona Isabel e a sucessão pelo seu irmão mais velho, Dom Pedro Henrique, como Chefe da Casa imperial Brasileira. Esteve no Brasil durante o Centenário da Independência em 1922 com toda a Família Imperial e realizou outra viagem à Tunísia e à Argélia com seu tio, o Príncipe Carlos das Duas-Sicílias.
Dom Luís Gastão Antônio faleceu com apenas vinte anos de idade em 8 de Setembro de 1931 sem ter se casado ou gerado descendência.

Imagem: Da esquerda para direita - Dom Pedro Henrique, Dom Luís Gastão, Dona Maria Pia e Dona Pia Maria. 


O Príncipe Imperial publica seu primeiro manifesto


O Príncipe Imperial publica seu primeiro manifesto no ano de 1909.

O “Príncipe Perfeito” como foi alcunhado pelo Rei da Bélgica, Príncipe Imperial Dom Luís Maria escreve em 1909 seu primeiro manifesto aos membros do Diretório Monarquista no Rio de Janeiro, pouco tempo após sua elevação à Príncipe Imperial do Brasil e casamento com a Princesa Dona Maria Pia das Duas-Sicílias.

O documento, uma exposição das posições políticas do Príncipe Imperial, tratava da defesa do federalismo, do papel das forças armadas para manter a unidade nacional em um sistema federalista, de uma justiça unitária e independente como um dos maiores vínculos da coesão nacional, de uma educação livre e regulada pelo Estado, assim como da educação familiar. Dom Luís Maria ainda defendeu ainda a expansão da viação férrea para o desenvolvimento das indústrias e do comércio nacional, a união e entendimento da classe operária e da classe proprietária dos bens de produção para dissipar desconfianças, um novo ajuste entre a Igreja Católica e o Estado Brasileiro, mas defendendo também a laicidade dos estabelecimentos públicos. Por fim, o Príncipe Imperial argumentou em favor da restauração do Conselho de Estado, do mandato vitalício dos senadores, do reestabelecimento das ordens honoríficas, da separação dos Poderes, complementando com a proteção da “mais ampla liberdade eleitoral, o respeito do direito das minorias, a formação de partidos sólidos com programas políticos bem definidos, superiores às mesquinhas questões de interesse individual”.

Todas estas diretrizes enviadas como programa do Diretório Monárquico pelo Príncipe Imperial visavam “fazer do Brasil o que já foi, um Brasil onde se consorciem a ordem com a liberdade, o capital com o trabalho, o progresso com a probidade, o respeito ao governo com a inviolabilidade de todos direitos garantidos pela Constituição”.

Imagem: Imagem do Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luís Maria.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Nasce o Príncipe do Grão-Pará Dom Pedro Henrique


Nasce o Príncipe do Grão-Pará Dom Pedro Henrique no dia 13 de Setembro de 1909 em Boulogne-Billancourt.

O Príncipe Dom Pedro Henrique Afonso Filipe Maria Gastão Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Boubon, primeiro filho varão do Príncipe Imperial Dom Luís Maria e da Princesa Maria Pia das Duas-Sicílias, nasceu em Boulogne-Billancourt em 13 de Setembro de 1909.

Dom Pedro Henrique foi intitulado desde o nascimento como Príncipe do Grão-Pará, recebendo o título de Príncipe Imperial do Brasil com o falecimento de seu pai em 1920, mantendo a posição até suceder sua avó, a Princesa Dona Isabel, como Chefe da Casa imperial do Brasil e Imperador de jure.

O Príncipe foi batizado na Capela do Palácio de Boulogne-sur-Seine em 15 de Setembro com água trazida do Brasil após ter sido registrado no Consulado Brasileiro, tendo por madrinha a avó paterna, a Princesa Dona Isabel, e padrinho o avô materno, o Conde de Caserta.

Imagem: Dom Pedro Henrique no colo da avó, Princesa Dona isabel.



Assinatura da Declaração de Bruxelas


Assinatura da Declaração de Bruxelas no dia 26 de abril de 1909 em Bruxelas.

Desde o início do exílio da Família Imperial, o Conde d’Eu buscava reaver seus direitos à sucessão do Trono Francês, como neto do Rei Luís Felipe I, garantindo assim aos seus filhos exilados a condição de Príncipes da Casa da França.

A resposta oferecida por seu primo o Príncipe Felipe, Duque de Orléans em 1901 foi a de que o Conde d’Eu havia perdido seus direitos à sucessão da Coroa da França e seu status como membro da Família Real da França e que seus filhos por consequência nunca foram Príncipes da Casa da França, nem poderiam tornar-se Príncipes.

Após a renúncia de Dom Pedro de Alcântara a situação levou a um pacto familiar, chamado de Declaração de Bruxelas. Neste pacto assinado pelos Duques de Orléans, Montpensier, Guise, Alençon , Vêndome e Penthièvre, assim como pelo Conde d’Eu, Dom Pedro, Dom Luís e Dom Antônio, reconheceu-se os filhos do Conde d’Eu como Príncipes de Orléans e Bragança em uma Casa distinta da Casa Real da França, mas com Honras de Príncipes da Casa de França e tratamento de Alteza Real. Foi também assegurado neste pacto que os Príncipes de Orléans e Bragança não teriam pretensão ao Trono da França, somente no caso de extinção da Casa de Orléans.

Assinado o pacto de família, o Príncipe Dom Pedro de Alcântara, ex-Príncipe Imperial, foi feito Príncipe-Titular de Orléans e Bragança.

Imagem: Brasão dos Orléans e Bragança.


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O Príncipe Dom Pedro de Alcântara casa-se com a Condessa Dobrzensky de Dobrzenicz


O Príncipe Dom Pedro de Alcântara casa-se com a Condessa Dobrzensky de Dobrzenicz no dia 14 de novembro de 1908 em Versalhes.

Após dez dias do casamento do seu irmão, O Príncipe Imperial, e duas semanas de sua renúncia o Príncipe Dom Pedro de Alcântara casa-se, após um noivado de oito anos, com a Condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz em Versalhes, no dia 14 de novembro de 1908.

O casal teve cinco filhos, todos com descendência. A Princesa Dona Isabel, Condessa de Paris por casamento; o Príncipe Dom Pedro de Alcântara Gastão, segundo Príncipe-Titular de Orléans e Bragança casado com a Princesa Dona Maria da Esperança de Bourbon-Duas Sicílias; a Princesa Dona Maria Francisca, Duquesa de Bragança por casamento; o Príncipe Dom João Maria; e a Princesa Dona Teresa Teodora.

O ramo não dinástico de Petrópolis recebeu este nome pelo Príncipe Dom Pedro de Alcântara ter se instalado no Palácio do Grão-Pará em Petrópolis, cidade aonde o Príncipe viria a falecer em 29 de Janeiro de 1940.

Imagem: Dom Pedro de Alcântara e a Condessa Dobrzensky de Dobrzenicz, autor desconhecido, 1908.



O Príncipe Imperial Dom Luís Maria casa-se com a Princesa Maria Pia das Duas-Sicílias


O Príncipe Imperial Dom Luís Maria casa-se com a Princesa Maria Pia das Duas-Sicílias no dia 4 de novembro de 1908 em Cannes.

O Príncipe imperial do Brasil casa-se com sua prima, com a qual estava noivo desde 1903, a Príncesa Dona Maria Pia Grazia Isabella Clara Ana Teresa Apollonia Adelaide Agata Cecilia Filomena Lucia Cristina Antonia Catarina das Duas-Sicílias na cidade de Cannes, em 4 de Novembro de 1908, poucos dias após o recebimento do título de príncipe imperial em virtude da renúncia de seu irmão.

A Princesa Dona Maria Pia das Duas-Sicílias era a terceira filha de Dom Afonso de Bourbon-Duas Sicílias, Conde de Caserta, filho do Rei Fernando II, e de sua esposa e prima, Dona Maria Antonieta de Bourbon-Duas Sicílias.

Imagem: Cartão postal com as fotografias de Luís, Príncipe Imperial do Brasil e sua esposa, dona Maria Pia de Bourbon Duas Sicílias, autor desconhecido, 1910.



A Capitania de Humaitá


A Capitania de Humaitá, na qual peças de artilharia e sua munição esperam para serem carregadas e levadas pelos navios da Armada Imperial Brasileira (como era chamada a Marinha Brasileira à época) aos frontes de batalha no Paraguai, durante o conflito na região da Bacia do Prata chamado de "Guerra da Tríplice Aliança" ou simplesmente "Guerra do Paraguai". Note os mastros dos navios ao fundo da imagem, feita a partir da terra, e a bandeira brasileira da época do Império tremulando no mastro (canto superior esquerdo). O Império mantinha sempre suas Forças Armadas preparadas, embora uma invasão nunca fosse esperada. O estouro do conflito e a invasão à província do Mato Grosso (atualmente seriam Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) por tropas de Solano Lópes assustaram os brasileiros e levaram a uma resposta imediata de nossa Força mais bem preparada: A Armada Imperial Brasileira, segunda mais poderosa do mundo à sua época, só perdendo para o Império Britânico.

Imagem da Capitania de Humaitá


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Príncipe Imperial Dom Pedro de Alcântara renuncia


O Príncipe Imperial Dom Pedro de Alcântara renuncia no dia 30 de Outubro de 1908 em Cannes.

O Príncipe Imperial Dom Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança para se casar com a Condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz, uma nobre média da boêmia, cujo título havia sido elevado de Baronesa à Condessa por pedido da Princesa Dona Isabel ao Imperador Francisco José I da Áustria-Hungria em 1906, renuncia por seu nome e de cada um de seus descendentes ao Trono do Império do Brasil na cidade de Cannes em 30 de Outubro de 1908.

Ao renunciar para casar-se morganaticamente com a Condessa Dobrzensky de Dobrzenicz, o título de Príncipe Imperial do Brasil recaiu ao seu irmão mais novo Dom Luís Maria de Orléans e Bragança. Com isso se dá a criação dos dois ramos da Família Imperial do Brasil, o não-dinástico de Petrópolis chefiado pelos Príncipes-titulares de Orléans e Bragança e o ramo de dinástico de Vassouras, chefiado pelo Imperador de jure do Brasil, o Chefe da Casa Imperial do Brasil.

Seu instrumento de renúncia, assinado em três vias, foi expedido ao Diretório Monárquico do Brasil, organismo oficial criado para cuidar dos interesses monárquicos no país, com o intuito de não criar partidários de um ou de outro Príncipe e encerrando qualquer futura pretensão por parte dos descendentes do Príncipe dom Pedro de Alcântara.

Imagem: Dom Pedro de Alcântara, sem autor ou data.


A Artilharia brasileira em ação na Guerra do Paraguai


Artilharia brasileira em ação na Guerra do Paraguai. As nossas forças de artilharia se mostrariam uma grande vantagem frente às forças terrestres paraguaias, basicamente compostas por cavalaria e infantaria leve. Parem de pensar nos fatos relacionados à imagem, e admirem os soldados da Pátria, homens! Não é necessário uma descrição longa para uma imagem tão emblemática.



terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Conde d'Eu inicia sua viagem ao redor do Mundo


O Conde d'Eu inicia sua viagem ao redor do Mundo no mês de Outubro de 1897 em Paris.

A vida da Família Imperial Brasileira no exílio oscilava entre o Castelo d’Eu na Normandia, afastado das regiões urbanas, e um apartamento em Boulogne-sur-Seine em Paris, onde a Família Imperial passava o inverno em um ambiente cosmopolita e animado.

Em Outubro de 1897 o Conde d’Eu quebra a rotina realizando uma viagem ao redor do Mundo, escrevendo diários. De volta à França Gastão de Orléans publica seus diários em francês contando suas aventuras.

Imagem: O conde d’Eu como um gaúcho, Augusto Amoretty, 1885.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O Imperador Dom Pedro II falece


O Imperador Dom Pedro II falece no dia 5 de dezembro de 1891 em Paris.

Após a morte da Imperatriz Dom Pedro II sofreu muito. Enquanto a Princesa Dona Isabel se fixou no Castelo d’Eu, e seu neto Dom Pedro Augusto em Viena, no Palácio Coburgo, o Imperador constantemente acompanhado por eles viveu em Paris passando temporadas em Cannes para tratar da saúde, porém sempre em hotéis modestos.

Em seus últimos anos o Imperador Dom Pedo II dependeu de empréstimos de amigos e viveu depressivamente sem quase nenhum recurso longe da terra que amava.

Instalado no hotel Bedford em Paris, Dom Pedro II caiu doente com pneumonia após um passeio ao longo do Sena. Falecendo após uma piora de seu quadro às 00:35 de 5 de Dezembro de 1891. Suas últimas palavras foram “Deus que me conceda esses últimos desejos, paz e prosperidade para o Brasil”, com o pedido que fosse enterrado com um pacote que continha terra de todas as províncias brasileiras, mantido por ele em seu quarto.

Seu funeral foi um dos maiores da capital francesa, com honras de Estado e contando com o comparecimento de grande parte da realeza europeia, entre eles o Rei Francisco II das Duas Sicílias, a Rainha Isabel II da Espanha e Luís Filipe, Conde de Paris. Diplomatas representando todos os países, com exceção do Brasil, os membros do Senado e da Câmara de Deputados da França, com diversas outras autoridades, entre eles o General Joseph Brugère, representando o Presidente Sadi Carnot estiveram presentes, assim como praticamente todos os membros da Academia Francesa, do Instituto de França, da Academia de Ciências Morais e da Academia de Inscrições e Belas-Artes. Ao todo o cortejo fúnebre foi acompanhado por 300 mil pessoas. O imperador foi enterrado no Panteão dos Bragança dia 12 de Dezembro.

No Brasil a comoção foi geral, apesar das tentativas do governo republicano abafar. Foram realizadas missas solenes, o povo fechou o comércio e colocou bandeiras do Império a meio pau, assim como andou com trajas e laços pretos nas roupas para prestar homenagens ao “Órfão da Nação”.



Imagem: Dom Pedro II morto, Félix Nadar, 1891.


Soldados brasileiros curvam-se diante da estátua de Nossa Senhora da Conceição


Soldados brasileiros curvam-se diante da estátua de Nossa Senhora da Conceição, durante procissão. Vale lembrar que a religiosidade é um dos maiores incentivadores nos tempos de guerra, sendo o Brasil um país, à época, de religião oficialmente Católica Apostólica Romana. Em nosso país, à época do Império (1822-1889), a liberdade de culto era grande, tendo diversos grupos religiosos que perduram até hoje imigrado para cá nestes tempos. Vale lembrar que, pela Constituição de 1824, redigida por Dom Pedro I do Brasil e IV de Portugal, o Imperador, embora adotasse como religião oficial a católica de Roma e seguisse todos os rituais, da coroação ao funeral, tinha o poder de aceitar que ordens do Vaticano, dadas pela pessoa do Papa, seriam aplicadas ou bloqueadas em nosso território, garantindo assim uma maior autonomia nacional e dando maiores poderes ao Imperador frente à Igreja.




O acampamento de guerra do Exército Imperial Brasileiro


Um acampamento de guerra do Exército Imperial Brasileiro. Os oficiais tentavam, o máximo que podiam, organizar as tendas dos soldados em fileiras e blocos, para evitar a disseminação de doenças que eram, na guerra, as principais causadoras das mortes de soldados (sim, antes da própria guerra vinham as doenças). A disciplina, em meio ao caos da campanha, deve sempre ser mantida.




domingo, 16 de outubro de 2016

A Família Imperial do Brasil parte para o exílio


A Família Imperial do Brasil parte para o exílio no dia 17 de novembro de 1889 em Paço Imperial.

Desde as 10 horas da manhã a Família Imperial ficou aprisionada no Paço Imperial por ordem do Governo Provisório. Às três da tarde o Major Frederico Solon de Sampaio Ribeiro, perturbado e confuso, entregou à Dom Pedro II a ordem de banimento da Família Imperial em 24 horas, a Imperatriz Dona Teresa Cristina quase desmaiou, a Princesa Isabel juntamente com as outra senhoras no salão choraram profusamente, já o Imperador Dom Pedro II profundamente abatido escreveu um carta de resposta ao Governo Provisório.

Na madrugada do dia 16 para o 17 todos os membros da Família Imperial são acordados pelo Tenente-Coronel João Mallet. O prazo de 24 horas fora cassado e a partida deveria ser imediata. Então, sem poder arrumar nada, a Família Imperial partia para o exílio às 2 horas e 46 da manhã, escondidos de todos, sequestrados pelo governo republicano.

A Família Imperial foi embarcada no vapor “Parnaíba” e após no vapor “Alagoas”. Às 10 horas os Príncipes que estavam em Petrópolis chegam. A Família Imperial desembarca em Lisboa em 7 de Dezembro de 1889.

Imagem: detalhe de "Dom Pedro II recebendo a ordem de banimento da Família Imperial", Albert Chapon, 1892.


Baile da Ilha Fiscal


Baile da Ilha Fiscal no dia 9 de Novembro de 1889 em Ilha Fiscal.

Em oposição ao ânimo do Imperador Dom Pedro II, que detestava festas ainda mais as suntuosas, é realizado o um Baile no recém-inaugurado Palácio da Ilha Fiscal organizado pelo Gabinete Ministerial chefiado pelo Visconde de Ouro Preto em homenagem aos oficiais do navio chileno "Almirante Cochrane".

O evento, que fora adiado de 19 de Outubro para 9 de Novembro em razão do falecimento do Rei Dom Luís I de Portugal, foi a festa mais suntuosa que o Brasil já tinha visto. Entre 3 e 4 mil pessoas foram convidadas à festa que contou com seis salões de dança e um banquete servido em duas mesas em forma de ferradura para 500 convidados, tudo decorado com flores, balões venezianos, lanternas chinesas, vasos franceses e Bandeiras do Império e do Chile.

O baile teve início às oito e meia, porém a primeira parte da Família Imperial só desembarcou às 10 horas. Dom Pedro II estava de casaca preta de Almirante com a Ordem do Tosão de Ouro, Dona Teresa Cristina com vestido de renda de chantilly preta guarnecido de vidrilhos e Dom Pedro Augusto de casaca preta civil. A Princesa Imperial Dona Isabel e o Conde d’Eu chegaram poucos minutos depois. Dona Isabel estava com um vestido de moiré preto listado, colo alto bordado de ouro e usando um diadema de brilhantes. O Imperador Dom Pedro II dançou somente uma vez, com uma debutante, a filha do Barão Sampaio Vianna, já Dona Isabel foi uma das mais animadas da festa competindo com seu sobrinho, o Príncipe Dom Pedro Augusto que ficou dançando até o amanhecer.

A Família Imperial, com exceção de Dom Pedro Augusto, partiu pouco depois da meia noite, quando o banquete foi servido, vendo pouco da fatídica festa que marcaria o fim do sistema monárquico no país e da primeira grande festa na Corte desde 1852.

Imagem: Baile da Ilha Fiscal com alegorias republicanas, Francisco Figueiredo, séc. XX, atualmente no Museu Histórico Nacional.


A Princesa Imperial Dona Isabel recebe do Papa Leão XIII a Rosa de Ouro


A Princesa Imperial Dona Isabel recebe do Papa Leão XIII a Rosa de Ouro no dia 28 de setembro de 1888 em Igreja Nossa Senhora do Monte do Carmo.

O Papa Leão XIII condecora a Princesa Imperial do Brasil Dona Isabel com a Rosa de Ouro, a maior distinção que os Soberanos Pontífices davam a chefes de Estado e a pessoas de grande relevo, nas ocasiões em que adquiriam méritos especiais, no caso da Princesa Isabel a assinatura da Lei Áurea.

A Rosa de Ouro foi entregue à Princesa Imperial Dona Isabel com uma carta do Papa datada de 29 de Maio de 1888, chegando ao Império do Brasil em 28 de Setembro de 1888. A data escolhida foi em comemoração aos 17 anos de promulgação da Lei do Ventre Livre, durante a Primeira Regência da Princesa Dona Isabel.

O ornamento tem 46 centímetros de altura, composto de 12 ramos, 24 espinhos, 8 rosas, 12 botões e 124 folhas em ouro , com uma dedicatória de Leão XIII à Princesa Imperial Dona Isabel com a data de 13 de Maio de 1888 e uma capsula perfurada na rosa central onde eram colocadas substâncias aromáticas.

O recebimento da Rosa de Ouro contou com uma grande cerimônia na Capela Imperial, porém foi mantida na capela particular da Princesa, que a levou para o exílio consigo. Até hoje a Princesa Isabel foi a única pessoa no Brasil ter recebido a Rosa de Ouro.

Imagem: A Princesa-Mãe Dona Maria Elizabeth de Wittelsbach com a Rosa de Ouro, acervo da Pró Monarquia/Casa Imperial do Brasil


Dom Pedro II trata da saúde na Europa


Dom Pedro II trata da saúde na Europa no dia 30 de Junho de 1887.

O Imperador Dom Pedro II com a saúde frágil partiu do Brasil em 30 de Junho de 1887, acompanhado da Imperatriz Dona Teresa Cristina e de seu neto Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança, para sua última viagem ao exterior como Imperador do Brasil. Dom Pedro II visitou Portugal, França, Alemanha, Bélgica e Itália.

Na Europa o Imperador Dom Pedro II ficou aos cuidados dos médicos Charles-Joseph Bouchard e Jean-Martin Charcot, passando dois meses na cidade Alemã de Baden-Baden, uma estação de tratamento por águas termais. O Imperador Dom Pedro II inicialmente respondeu ao tratamento obtendo significativa melhora.

Em 3 de Maio de 1888, em Milão, Dom Pedro II teve uma recaída fortíssima na qual agonizou por muito tempo. Seu médico particular o Visconde Cláudio Velho da Mota Maia, futuro Conde da Mota Maia, foi chamado com urgência, assim como um padre que lhe deu a extrema-unção.

O Imperador Dom Pedro II ao receber a notícia da assinatura da Lei Áurea em Milão, enquanto ainda se recuperava, chorou profudamente de emoção. Dom Pedro II retornou ao Império, ainda muito doente, em 22 de Agosto de 1888 a bordo do navio Congo,

Imagem: Dom Pedro II, Dona Teresa Cristina e Dom Pedro Augusto partindo para Europa, Arsênio Neumão da Câmara, 1887.


Proxima  → Página inicial