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terça-feira, 28 de junho de 2016

"Nunca tantos deveram a tão poucos." Sir Winston Churchill


Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, o conflito se encontrava em uma fase decisiva. A Luftwaffe (Força Aérea Alemã) bombardeava incansavelmente inúmeras cidades da Inglaterra e restava apenas aos bravos pilotos da RAF (Real Força Aérea Britânica) o dever e a responsabilidade de defender o território britânico e o Canal da Mancha da “blitz aérea” promovida pelos alemães.

No dia 11 de julho de 1940, o almirante Erich Raeder, comandante-em-chefe da Kriegsmarine (Marinha Alemã), disse a Hitler que uma invasão marítima só poderia ser contemplada como um último recurso e somente após a superioridade aérea plena ter sido alcançada pelos alemães. Com a Kriegsmarine enfraquecida, a poderosa Luftwaffe tinha em suas mãos a tarefa de criar condições favoráveis para uma invasão.


Nos meses de julho e de agosto de 1940, uma série de batalhas aéreas pelo controle do Canal da Mancha (Kanalkampf) entre a Luftwaffe e a RAF deu início a Batalha da Inglaterra. No dia 13 de agosto de 1940, a Royal Air Force resistiu a um ataque massivo dos alemães (Adlertag) que, apesar de terem conseguido infligir muitos danos e fazer vítimas sobretudo em solo, não obteve êxito em dominar o espaço aéreo britânico. No dia 20 de agosto de 1940, Winston Churchill, durante um discurso na Câmara dos Comuns, proferiu a célebre frase:

"A gratidão de todos os lares em nossa ilha, em nosso Império e certamente no mundo inteiro, exceto nas casas dos culpados, vai para os aviadores britânicos que, sem se intimidarem com as probabilidades, incansáveis em seu desafio constante e perigo mortal, estão virando a maré da Guerra Mundial com sua bravura e devoção. Nunca antes no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos. Todos os corações estão com os pilotos de caça, cujas brilhantes ações que vemos com nossos próprios olhos dia após dia, nunca deveremos esquecer, noite após noite, mês após mês, nossos esquadrões de bombardeiros viajam para a longínqua Alemanha, encontrando seus alvos na escuridão por sua grandes habilidades de navegação, apontando seus ataques, muitas vezes sob fogo pesado, muitas vezes com perdas graves, com deliberada e cuidadosa discriminação, infligem golpes devastadores sobre toda a estrutura técnica e bélica do poder nazista….”

Por Mozarth Magro

Artigo histórico publicado também no Blog Mozarth Magro.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

O Projeto Habakkuk - O porta-aviões de gelo


O Projeto Habakkuk foi um projeto inglês de um super porta-aviões que seria construído majoritariamente de gelo. Ele seria usado para combater os U-Boats, submarinos alemães que aterrorizaram o Atlântico durante a Segunda Guerra Mundial. Seu projeto é da autoria de Geoffrey Pyke, o inventor do material que leva seu nome, Pykrete, e que seria o componente principal do super porta-aviões.

O Pykrete é uma combinação de gelo e serragem (14% de serragem para 86% de gelo) e apresenta baixa taxa de fusão, é mais resistente e mais duro que o gelo, que é quebradiço. O porta-aviões teria 1200 metros de comprimento e 180 de largura com uma couraça de 12 metros de largura e seria movido por diversos motores elétricos. Em caso de um bombardeio ao navio, ele poderia ser reparado adicionando água e celulose à cratera da explosão e congelando a mistura.

O super porta-aviões nunca foi produzido. Apenas um modelo em escala foi criado em um lago no Canadá e utilizado para testes com explosivos. Seu modelo, todavia, apresentou vários problemas. O material sofria uma deformação sobre grande estresse mecânico, o que tornava obrigatório o uso de um reforço de aço que encareceria o já caro projeto. A quantidade de aço usada para os reforços somada à planta de refrigeração usada pelo navio era maior que a necessária para construir um porta-aviões convencional totalmente feito de aço. Além disso, a Marinha Real Britânica exigia o uso de um leme no navio, e montar e controlar um leme de 30 metros de altura era uma tarefa árdua.

Com a liberação do governo de Portugal para pousos e decolagens aliadas nos Açores e com a adoção de maiores tanques de combustível por aviões britânicos, a tarefa de patrulhar o Atlântico ficou mais fácil, tornando o gigante de gelo ainda mais dispensável. A maior quantidade de porta-aviões de escolta, menores e mais baratos que grandes porta-aviões também facilitou as patrulhas no Atlântico, pondo um fim à Era de Ouro dos U-Boats alemães e encerrando a necessidade aliada de ter um porta aviões como o Habakkuk. O modelo em escala, mantido no lago no Canadá, demorou 3 verões quentes sem seu sistema de resfriamento para derreter por completo.







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