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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Conde d'Eu falece a bordo do "Massília"


O Conde d'Eu falece a bordo do "Massília" no dia 29 de Agosto de 1922.

O viúvo da Redentora, Gastão de Orléans, Conde d’Eu, mesmo com saúde precária, abalado pela viuvez e pela morte dos filhos, o Príncipe Antônio e o Príncipe Imperial Dom Luís Maria empreendeu outra viagem ao Brasil, para participar do Centenário da Independência e para apresentar o seu neto Dom Pedro Henrique, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, então com 12 anos, ao Povo Brasileiro.

Conta-se que seu médico não ousou proibir a viagem dado entusiasmo do Conde d’Eu, cuja proibição causar-lhe-ia mais mal do que bem.

A bordo do navio Massília com o neto Dom Pedro Henrique e sua mãe a Princesa Maria Pia das Duas Sicílias, o Conde d’Eu faleceu dois dias antes do desembarque em 29 de Agosto de 1922.

Seu corpo foi desembarcado no dia 31 e ficou exposto na Igreja da Santa Cruz dos Militares. Seu filho primogênito, o Príncipe-Titular de Orléans e Bragança, Dom Pedro de Alcântara e o restante da Família Imperial tomaram conhecimento a bordo do navio Curvello na altura de Salvador.

Uma multidão prestou as últimas homenagens à Gastão de Orléans e enviou mensagens de simpatia à Família Imperial, hospedada no Hotel Glória. Seu corpo foi levado para a Capela Real de Dreux em 30 de Setembro para descansar ao lado de seus familiares. Na década de 70 foi transladado, junto com os despojos da Princesa Isabel, à Petrópolis.

Imagem: última fotografia no Conde d’Eu em Petrópolis, Nietzsch, 1921.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Homenagem ao Conde d'Eu na Vila Militar


Homenagem ao Conde d'Eu na Vila Militar no mês de Fevereiro de 1921 em Rio de Janeiro.

Em Fevereiro de 1921, após desembarcar no Brasil, pela primeira vez desde o Golpe de 15 de Novembro, para a transladação dos despojos do Imperador e da Imperatriz, o Conde d’Eu recebe uma grande homenagem na Vila Militar, no Rio de janeiro, com a presença do Ministro da Guerra Pandiá Calógeras.

Gastão de Orléans era um herói de guerra, tendo liderado todas as tropas da Tríplice Aliança durante o período final da Guerra do Paraguai e era muito respeitado por grande parte do Exército.

Durante a viagem pelo Brasil o Conde d’Eu estava muito fraco e abatido pela morte de dois de seus três filhos, além disso se emocionou demais com as lembranças, visitando os antigos Palácios em que residira e as praias que cavalgava com os filhos.

Imagem: O Conde d’Eu com oficiais do Exército Imperial, ao seu lado o Marechal Deodoro da Fonseca que proclamaria a República, Marc Ferrez, 1885



terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Conde d'Eu inicia sua viagem ao redor do Mundo


O Conde d'Eu inicia sua viagem ao redor do Mundo no mês de Outubro de 1897 em Paris.

A vida da Família Imperial Brasileira no exílio oscilava entre o Castelo d’Eu na Normandia, afastado das regiões urbanas, e um apartamento em Boulogne-sur-Seine em Paris, onde a Família Imperial passava o inverno em um ambiente cosmopolita e animado.

Em Outubro de 1897 o Conde d’Eu quebra a rotina realizando uma viagem ao redor do Mundo, escrevendo diários. De volta à França Gastão de Orléans publica seus diários em francês contando suas aventuras.

Imagem: O conde d’Eu como um gaúcho, Augusto Amoretty, 1885.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Conde d'Eu assume o Comando das Tropas Aliadas


O Conde d'Eu assume o Comando das Tropas Aliadas no dia 22 de Março de 1869.

Com o pedido de licença do Marquês de Caxias, o Conde d’Eu, esposo da Princesa Imperial Dona Isabel e Príncipe da França, é indicado por Dom Pedro II ao cargo de Comandante-Chefe das Tropas Aliadas.

O Conde d’Eu já havia demonstrado interesse pela Guerra do Paraguia quando o Imperador Dom Pedro II chamou a ele e a seu primo, o Duque de Saxe, para o Cerco de Uruguaiana em 1865, para o qual interrompeu sua viagem de lua de mel pela Europa com a Princesa Isabel. O Conde d’Eu por duas vezes pediu para participar da guerra no Uruguai, porém o Conselho de Estado vetou os pedidos.

O Príncipe Gastão era oficial de alto escalão com prestígio e notória capacidade, visto que já havia participado da Guerra do Marrocos entre 1859 e 1860. Aplicou no Exército Imperial táticas de estratégia e organização diversificadas, participou ativamente de batalhas como o Marquês de Caxias fazia e ainda aboliu a escravidão do Paraguai, concedendo liberdade à 25 mil escravos.

Imagem: “Princípe Gastão de Orléans, Conde d’Eu”, Alberto Henschel, 1882.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Princesa Imperial Dona Isabel casa-se com o Conde d'Eu


A Princesa Imperial Dona Isabel casa-se com o Conde d'Eu no dia 15 de outubro de 1864 em Igreja Nossa Senhora do Monte do Carmo.

Em 15 de Outubro de 1864, na Capela Imperial a Princesa Imperial Dona Isabel casa-se com o Príncipe Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, Conde d’Eu, filho de Luís Carlos Filipe Rafael de Orléans, Duque de Némours, e de Vitória de Saxe-Coburgo-Gota -Koháry, neto do Rei Luís Felipe da França.

O casamento foi arranjado e incentivado tanto pelo Rei Consorte Dom Fernando II de Portugal, tio da Princesa e do Príncipe e por Dona Francisca, Princesa de Joinville, também tia da Princesa e do Príncipe.

O Conde d’Eu chegou ao Brasil, com seu primo o Duque de Saxe em 2 de Setembro para se casar com uma das filhas do Imperador. Especula-se que inicialmente estivesse prometido à Princesa Dona Leopoldina, mas acabou trocando por escolha sua e da Princesa Imperial.

Após o casamento passaram a lua de mel no Palácio Imperial de Petrópolis e em 10 de janeiro de 1865 partiram em viagem para Europa.

Imagem: “Casamento da Princesa Isabel e Gastão de Orléans”, Victor Meirelles, 1864, atualmente no Museu Victor Meirelles. 


sábado, 27 de agosto de 2016

Conde d'Eu: O mais brasileiro de todos os franceses


Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, nascido na França em 28 de abril de 1842, foi um Príncipe Francês, utilizando-se do título de Conde d'Eu, e Príncipe Imperial Consorte do Brasil.

Filho de Luís Carlos Filipe Rafael d'Orléans, Duque de Némours, seu avô paterno foi o último Rei da França, Luis Filipe I de Orléans. Príncipe francês de nascimento, recebeu o título de conde d´Eu.O príncipe recebeu uma educação refinada, vindo a aprender diversas línguas, como o latim, inglês, alemão, português e o francês, esta como língua materna.

O seu avô foi destronado graças à Revolução de 1848, e com apenas cinco anos de idade, Gastão partiu para o exílio na Grã-Bretanha, vindo a retornar a sua terra natal somente em 1878. Sua família logo se estabeleceu num antigo casarão chamado Claremont, na região sul da Inglaterra, onde viveriam por vários anos. Aos treze anos de idade, em 1855, iniciou a sua carreira militar seguindo o curso de artilharia, o qual concluiria na Escola Militar de Segóvia, Espanha, onde obteve a patente de capitão. Em 1857, perdeu precocemente a mãe, Vitória de Saxe-Coburgo-Koháry.

Após longos anos sofrendo problemas na fronteira com o Marrocos, devido aos constantes ataques às cidades espanholas na costa da África por parte de bandoleiros marroquinos, a Espanha decidiu declarar guerra ao país vizinho em 1859. O jovem Gastão foi enviado como oficial subalterno para participar do conflito ao lado das forças espanholas, que consistiam em cerca de 40 mil soldados, contra as tropas marroquinas, que por sua vez possuíam mais de 140 mil homens. O conde d'Eu participou das batalhas e após o término da Guerra do Marrocos, em 1860, retornou à Espanha com renome militar. Anos depois, foi contatado pelo tio, Rei Dom Fernando II de Portugal, que o incentivou a averiguar a possibilidade de casamento com uma das duas filhas do Imperador Dom Pedro II do Brasil. Aceitou a proposta, contanto que pudesse conhecê-las antes de tomar qualquer decisão. A irmã de D. Pedro II, D. Francisca de Bragança, princesa de Joinville, casada com Francisco d'Orléans, príncipe de Joinville e, portanto, tio de Gastão, assim o descreveu em carta ao imperador brasileiro: "Se pudesse agarrar este para uma das tuas filhas, seria excelente. Ele é robusto, alto, boa figura, boa índole, muito amável, muito instruído, estudioso, e, além do mais, possui desde agora uma pequena fama militar".

Desembarcou no Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1864 na companhia do primo, o Príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota. Logo em seguida os dois primos se dirigiram ao Palácio de São Cristóvão para conhecer a Família Imperial Brasileira. No entanto, Gastão não se entusiasmou em relação às duas princesas, pois as considerou "feias". De início, o jovem Conde d'Eu estava prometido a D. Leopoldina e seu primo a D. Isabel, mas após tê-los conhecido melhor, o Imperador D. Pedro II resolveu inverter os pares. Gastão foi agraciado com a grã-cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro pouco tempo após chegar ao Brasil e foi, dias depois, proposto como presidente honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. O casamento com a Princesa herdeira do Trono ocorreu em 15 de outubro de 1864.

Décadas mais tarde, em 1892, Alfredo d'Escragnolle Taunay, Visconde de Taunay, diria sobre o Conde: "[...] O Conde d'Eu, com todos os defeitos que lhe possam apontar, estremecia viva e sinceramente o Brasil e, acredito bem, ainda hoje o ame com intensidade e desinteresse"

O Conde d'Eu e a Princesa Isabel, estavam viajando pela Europa em lua-de-mel, quando forças paraguaias invadiram as províncias brasileiras de Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Dom Pedro II enviou uma carta ao casal em 1865 exigindo a presença de Gastão no Brasil e que se deslocasse para a cidade de Uruguaiana, no sul do país, para lá se encontrar com o Imperador, o Duque de Saxe e o Exército imperial. Uruguaiana havia sido conquistada pelo exército paraguaio e as tropas brasileiras, além das aliadas argentinas e uruguaias, haviam criado um cerco à cidade, esperando ou a rendição ou a derrota em batalha da força inimiga. O Conde foi nomeado comandante geral da artilharia e presidente da Comissão de Melhoramentos do Exército em 19 de novembro de 1865.

Por ser um oficial de alto escalão com suficiente prestígio e notória capacidade, foi convocado para liderar como comandante-em-chefe os exércitos aliados em 1869, após o Marquês de Caxias (futuro Duque) ter-se demitido da função. O Conde não possuía mais vontade alguma de partir para o teatro de operações, não por covardia, mas por achar indigno e desnecessário continuar a guerra somente para caçar Francisco Solano López, o ditador paraguaio, opinião essa compartilhada por boa parte dos brasileiros. Mesmo assim, a nomeação do conde, à altura com apenas 27 anos de idade, em 22 de março de 1869 como novo comandante-em-chefe reanimou a opinião pública brasileira.Quando chegou ao Paraguai, reorganizou o exército brasileiro e demitiu oficiais acusados de saques no território inimigo.

O Conde d'Eu decidiu utilizar táticas diversificadas para ludibriar o exército paraguaio quanto a como e por onde o exército aliado realizaria seus ataques. Na opinião do visconde de Taunay, o conde revelou "grande habilidade estratégica, paciência de experimentado capitão, indiscutível coragem e sangue-frio". Também participou ativamente das batalhas que ocorreram, como em Acosta-Ñu, onde correu grande risco. Foi ideia do Príncipe-Consorte a de extinguir definitivamente a escravidão no Paraguai. Em setembro, desanimado com a falta de condições materiais do Exército Brasileiro para prosseguir na perseguição a Solano López, e vendo negado pelo Imperador seu pedido de por término à guerra, o Conde d'Eu entrou em depressão e praticamente se retirou da condução de exército aliado na guerra, que viria somente a terminar em 1 de março de 1870, com a morte do ditador paraguaio. Ao retornar ao Brasil, em 29 de abril de 1870, Gastão foi recebido como herói e com grande manifestação popular, além de ter sido nomeado conselheiro de Estado em 6 de julho do mesmo ano.

Apesar de decepção inicial em relação à beleza da esposa, Gastão viria a se apaixonar e amá-la até os últimos dias de vida, sentimento este correspondido por D. Isabel. Não sendo à toa que o relacionamento de ambos era pautado numa cumplicidade ainda incomum a época. Seu primeiro filho, Príncipe Dom Pedro Gastão, nasceu em 1875, após 11 anos de casamento. Em 1878 nasceu Dom Luís e em 1881, seu último filho, Dom Antônio.

Ao casar-se com a princesa Isabel, Gastão buscou participar ativamente do governo brasileiro, realizando comentários e aconselhando quanto ao desenvolvimento do país. A realidade é que a ideia de servir como mera sombra da esposa o desagradava profundamente. No entanto, Dom Pedro II nunca permitiu nem ao conde nem a Dona Isabel que participassem das decisões do governo nem sequer discutia com o casal qualquer assunto relacionado ao Estado, exceto durante as 3 vezes em que Isabel assumiu a Regência do Império. Ao se ver excluído da máquina decisória e política do estado brasileiro, o Conde d'Eu se voltou a outras atividades junto a sua esposa, ao tornarem-se patronos constantes de óperas e de concertos, patrocinando-os com o intuito de arrecadar fundos para as instituições sociais e filantrópicas que apoiavam. Visitou boa parte do país, mais do que qualquer outro membro da família imperial, inclusive a região sul, assim como o nordeste, norte e inclusive o interior de Minas Gerais. No final do império, empreendeu uma grande viagem ao norte do Brasil, que foi um sucesso, demonstrando que a monarquia ainda contava com um grande apoio no país.

Após o fim da Guerra do Paraguai, surgiu o Clube Republicano em 1870. D. Pedro II ainda gozava de grande popularidade, concentrando-se em Gastão e em D. Isabel grande parte da antipatia nutrida pelos republicanos. O "casal era um bode expiatório perfeito, e o Partido Republicano e seus simpatizantes na imprensa não tardaram a culpá-los pelos problemas do Brasil". No entanto, quem mais sofreu foi Gastão, que era repudiado por todos e "sempre foi profundamente impopular. A surdez, que piorou com a idade, tornava-o antipático aos olhos gerais e o sotaque lembrava claramente ao interlocutor que estava tratando com um estrangeiro". A "mentalidade europeia de Gastão o estigmatizava como forasteiro incapaz de se adaptar a cultura da esposa. Os brasileiros o chamavam de 'o francês' e execravam sua participação na condução dos negócios públicos".

Era constantemente atacado pela imprensa republicana, que chegava a ponto de criar calúnias absurdas. Não tardou para que as lideranças políticas também o evitassem e mesmo o destratassem publicamente, como ocorreu na solenidade de juramento de sua esposa como regente, onde foi proibido de caminhar ao lado de D. Isabel e preferiu simplesmente ficar em casa. Também passou a ser excluído de cerimônias e de algumas reuniões do próprio conselho de Estado. Temia-se a sua influência natural sobre D. Isabel, por sua condição de esposo, e todos acreditavam sinceramente que seria ele e não ela quem governaria o país após a morte de D. Pedro II.

Quando a República foi proclamada por um golpe de estado, em 1889, a Família Imperial Brasileira se retirou em exílio para Portugal e daí para a França. Gastão pediu permissão aos seus parentes Orléans para residir com sua esposa e filhos no Castelo d'Eu, na Normandia francesa.

Teve de encarar a tristeza de ver dois de seus filhos morrerem, Dom Antônio em 1918 após o término da Primeira Guerra Mundial, na qual lutou, e Dom Luís em 1920, que tambpém combateu na guerra, ambos pelas forças do Reino Unido.

Após a morte de Princesa Isabel, legitima e tratada pelos monarquistas como Imperatriz do Brasil, em 1921, o Conde retornou ao Brasil para repatriar os restos dos Imperadores e que atualmente se encontram no Mausoléu Imperial da Catedral de Petrópolis. O Conde d'Eu morreu em 28 de agosto de 1922, de causas naturais, a bordo do navio Massilia, que mais uma vez o trazia ao Brasil, para a celebração do primeiro centenário da independência do país.

Seu corpo se encontra ao lado de o de sua esposa no Mausoléu Imperial na Catedral de São Pedro de Alcântara em Petrópolis.

Imagem: O Conde d'Eu durante a Primeira Guerra Mundial, com seu neto, Príncipe Pedro de Alcântara (1913-2007).



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