Mostrando postagens com marcador Golpe da República. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Golpe da República. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de outubro de 2016

O Golpe Militar de 15 de Novembro


15 de Novembro de 1889 em Rio de Janeiro.

Com o intuito de derrubar o Gabinete Ministerial do Visconde de Ouro Preto algumas centenas de soldados liderados pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, convencido pelos republicanos que seria preso por ordem do Visconde de Ouro Preto, ordem nunca dada pelo Gabinete, decretou ordem de prisão ao Visconde e aos seus ministros.

Enquanto isso a Família Imperial se desencontrou. A Princesa Isabel aconselhada enviou seus filhos para Petrópolis, para se unir com eles depois, o Imperador Dom Pedro II, que estava em Petrópolis, por sua vez desceu para o Rio de Janeiro de trem onde encontrou a Princesa Isabel e o Conde d‘Eu chegando às duas da tarde.

Após um encontro com o Visconde de Ouro Preto, que teve a ordem de prisão relaxada, mas seria deportado ainda naquela noite, o imperador Dom Pedro II decide convocar um novo Ministério, liderado por Silveira Martins, infelizmente um inimigo pessoal de Deodoro da Fonseca por causa de uma mulher. Com isso, enfurecido, o Marechal declara provisoriamente a República.

É declarado o Governo Provisório republicano sem participação popular ou legitimidade, sendo jurado pela Câmara Municipal uma vez que o Poder Legislativo estava em recesso.

Às onze da noite Dom Pedro II reúne o Conselho de Estado para indicar como Presidente do novo Gabinete o Conselheiro Saraiva, porém Deodoro ignorou por já ser tarde demais.

Imagem: Proclamação da República, Benedito Calixto, 1893, atualmente na Pinacoteca Municipal de São Paulo.


sábado, 8 de outubro de 2016

A proclamação da República - O fato e o golpe da República


Em 1889, o Império do Brasil vivia sua era de ouro desde 1870, e o Imperador Dom Pedro II estava no auge de sua popularidade.

Em 1870, políticos republicanos lançaram o Manifesto Republicano e fundaram o Partido Republicano Paulista. Desde então, os republicanos sempre foram um verdadeira minoria, ocupando pouco cargos públicos. O Imperador garantia a liberdade de expressão e liberdade de imprensa absoluta, assim os republicanos estavam sempre fazendo ataques ao Império e ao Imperador não só governamentalmente mas também pessoalmente.

Desde a Guerra do Paraguai, muitos oficiais do Exército Imperial adquiriram um perfil de caráter positivista, tendente ao republicanismo, e com uma maior necessidade de investimentos por parte do Governo Imperial no Exército, além de um certo ciúme da relação entre a monarquia com a Armada Imperial (Marinha), esses oficias do exército passaram sonhar com uma república ditatorial onde eles seriam os líderes, e desde então começaram a influenciar os jovens nas escolas militares por todo o Brasil com positivismo e republicanismo.

Outro agravante foi a descrença, motivada por preconceito, visto que o Brasil era uma sociedade muito conservadora, na capacidade de uma mulher, mais precisamente da Princesa Isabel, de governar, apesar dela ter se mostrado muito competente tendo governo o Brasil por 3 vezes como Regente na ausência de seu pai. Junto com isso, o povo temia que o marido de Isabel, o Conde d'Eu, fosse quem realmente governasse por trás da sombra de Isabel.

Desde 1850, a escravidão vinha sendo abolida gradativamente para não afetar gravemente a economia e não gerar uma guerra civil, como nos EUA. Enfim, em 1888, a Princesa Isabel, então Regente do Império na ausência de seu pai, aboliu a escravidão definitivamente no Brasil com a Lei Áurea, porém essa lei não beneficiava ou concedia indenização aos senhores de terras que perderam seus escravos com ela.

Revoltados por não serem indenizados, os senhores de terra passaram a apoiar um novo governo que os indenizasse, assim, se voltaram aos políticos republicanos e se aliaram aos militares positivistas, passando então a apoiar a república.

Em novembro de 1889, os políticos republicanos estavam insatisfeitos com o ministério do Visconde de Ouro Preto e pretendiam derruba-lo com apoio da elite agrária e dos militares positivistas. O Marechal de Campo Manoel Deodoro da Fonseca, monarquista convicto e amigo do Imperador, havia sido chamado para este golpe e mais além, para se fosse o caso proclamar a república derrubando de uma vez por todas a monarquia. Deodoro recusou-se a derrubar a monarquia, o próprio já havia dito que "república no Brasil e desgraça nacional são a mesma coisa" e que "a monarquia é o único sustentáculo do Brasil", apesar de se inclinar a por um fim na monarquia somente quando Dom Pedro II morresse. Mas enfim, o Marechal Deodoro não aceitou nenhuma proposta de golpe nem contra a monarquia, nem contra o ministério de Ouro Preto.

Foi então que no dia 14 de novembro os republicanos lançaram uma mentira que chegou rapidamente aos ouvidos de Deodoro propositalmente. A mentira dizia que o Visconde de Ouro Preto havia expedido uma ordem de prisão contra Deodoro e contra os lideres republicanos. Essa falsa notícia foi o argumento decisivo que convenceu Deodoro finalmente a levantar-se contra o Governo Imperial. Pela manhã do dia 15 de novembro, o Marechal reuniu algumas tropas no Campo de Santana. Penetrando no Quartel-General do Exército, Deodoro decretou a demissão do Ministério Ouro Preto – providência de pouca valia, visto que os próprios ministros, cientes dos últimos acontecimentos, já haviam telegrafado ao Imperador, que estava em Petrópolis - RJ, pedindo demissão. Ninguém falava em proclamar a República, tratava-se apenas de trocar o Ministério, e o próprio Deodoro, para a tropa formada diante do Quartel-General, ainda gritou um "Viva Sua Majestade, o Imperador!"

Enquanto isso, o Imperador Dom Pedro II retornou ao Rio de Janeiro em vista da situação, reuniu o Conselho de Estado no Paço Imperial e, depois de ouvi-lo, decidiu aceitar a demissão pedida pelo visconde de Ouro Preto e organizar novo Ministério.
Os republicanos precisavam agir rápido, para aproveitar os acontecimentos e convencer Deodoro a romper de vez os laços com a monarquia. Contaram mais uma mentira: Quintino Bocaiuva e o Barão de Jaceguai mandaram um mensageiro a Deodoro, para informar-lhe que o novo primeiro-ministro, escolhido pelo Imperador, seria Gaspar Silveira Martins, correligionário liberal do visconde deposto e político gaúcho com quem o Marechal não se dava por conta de terem disputado o amor da mesma mulher na juventude. Deodoro poderia aceitar qualquer coisa, mas não que seu inimigo pessoal de anos fosse nomeado Primeiro-Ministro. Foi então convencido de derrubar o regime.

Pela tarde, reunidos alguns republicanos e vereadores na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi lavrada uma ata declarando solenemente proclamada a República no Brasil, que foi levada ao Marechal Deodoro.

À noite do dia 15, o Imperador encarregou o conselheiro José Antônio Saraiva de presidir o novo ministério. O novo Presidente do Conselho de Ministros (do Partido Conservador - o mesmo de Deodoro) dirigiu-se por escrito ao Marechal, comunicando-lhe a decisão do Imperador, ao que respondeu Deodoro que já havia concordado em assinar os primeiros atos que estabeleciam o regime republicano e federativo.

Diante da recusa do Imperador, desiludido quanto ao futuro da monarquia, em reagir militarmente para sufocar o golpe, como instavam a Princesa Isabel, seu marido o Conde D'Eu, seu neto o Príncipe Dom Pedro e o Almirante Marquês de Tamandaré - este apoiado por toda a Armada Imperial, fez a República no Brasil, diante da surpresa generalizada do êxito da quartelada.

O povo não tinha a menor ideia dos eventos ocorridos. Para a população civil, tudo não passava de um desfile militar.

Um homem republicano havia sugerido que se fuzilasse a Família Imperial, mas o Marechal Deodoro não permitiria isso jamais. Ele reconhecia os méritos do Imperador, da Princesa Imperial e da monarquia, e devia toda a sua carreira a isso.

A Família Imperial Brasileira foi embarcada no navio Alagoas para partir para seu exílio na Europa em 17 de novembro de 1889, pela madrugada, para que a população, caso soubesse do que acontecia, não se revoltasse.

O Marechal Deodoro ofereceu a Dom Pedro II uma quantia equivalente a 4,5 toneladas de ouro para viver seu exílio, mas o Imperador recusou a oferta pois vinha do dinheiro público do Tesouro Nacional, e ainda disse: "Eu não posso aceitar. Porque nem Deodoro nem nenhum brasileiro tem o direito de tocar em um vintém sequer do Tesouro Nacional sem a aprovação do parlamento. Com que autoridade estes senhores dispõe do dinheiro público?"

Assim, sem nada, a Família Imperial deixou o Brasil em direção a Portugal, para depois se instalarem na França.

Apesar de já não mais ser Chefe de Estado há dois anos, de um país cuja forma de governo foi alterada, com a morte de Dom Pedro II em 1891 o Governo da República Francesa insistiu à Princesa Isabel para que se desse a Sua Majestade um funeral de Chefe de Estado, com tudo pago, e assim foi feito. 300 mil pessoas compareceram ao cortejo fúnebre do ex-Imperador do Brasil, dentre civis, a políticos franceses, a nobreza europeia, e representantes de diversos países republicanos e monárquicos, mesmo os mais longínquos como Pérsia, Japão e o Império Otomano.

Muitos dos participantes da proclamação da república mostraram-se severamente arrependidos do que fizeram:

"Majestade, me perdoe. Eu não sabia que a república era isto"
-Ruy Barbosa, político republicano

"Não era esta a república com que eu sonhava"
-Benjamin Constant, militar republicano

"Só volto ao senado para pedir perdão a Deus pelo que fiz para que viesse esta república"
-Quintino Bocaiuva, político republicano

"[...] E o sangue que não correu a 15 de novembro, ainda há de correr"
-Deodoro da Fonseca, presidente da república

Imagem: "Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto.


Proxima  → Página inicial