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quinta-feira, 6 de abril de 2017

O Lento Alvorecer


Oh mia patria sì bella e perduta! [1]

Depois de ficar longas noites “trancafiado” na masmorra, o miserável e esgotado cidadão brasileiro, envolto em trapos, acha uma escapatória desse vil e gelado pesadelo a que foi condenado. Das longas e morosas décadas torturantes de puros erros e de falsas crenças a que foi induzido, só o levou a uma coisa: o aprisionamento. Preso fisicamente ou mentalmente, o que é pior? “O inferno é ambos, mas é também o mundo de angústia e tormento que o homem constrói para si mesmo ao longo da história”[2].

O crescimento vertical da esquerda revolucionária no Brasil fez surgir o histérico e nefasto império hegemônico das pseudo-ideias errôneas. Isso aconteceu assim que foram tomando cada parte do Estamento Burocrático e do dia a dia do cidadão brasileiro, moldando-os à sua imagem e semelhança. Assim, o Brasil foi feito refém de um maldito e insano reformismo sem noção, um esquema de controle mental e social, que beira a insanidade humana. Desta forma, alvoreceu a mentalidade em que prega a seguinte crença na sociedade brasileira: “O revolucionarismo deseja construir o futuro como se o passado jamais “existira”[3].

Quando o cidadão descobre o projeto maligno, e bate de frente com esse projeto cruel de dominação e aniquilação nacional, muitos ficam nervosos, afoitos e tensos, pois não sabem o que fazer, muito menos por onde começar a combater tal inimigo, de proporções imensas. "Mas se os bárbaros estão cá dentro, que podemos nós fazer? Denunciá-los e combatê-los, sem dúvidas. Mas também, sob outra estratégia, imitar os antigos monges sitiados, a fim de preservar e cultivar o que merece ser preservado e cultivado. A busca da beleza possível. Afluição dos domésticos prazeres: lugares, memórias, histórias. E a celebração do humor sobre os outros, sobre nós, sobretudo sobre nós       como uma forma suprema de 'salvação.'[4]“

Desta forma, os bárbaros aproveitaram nossa ingenuidade e descuido e invadiram na calada da noite, usurparam nossa formosa e linda nação. No presente momento, encontramo-nos como os judeus do Gueto de Varsóvia[5]: somos humilhados, vilipendiados e vigiados constantemente pelos algozes vermelhos. Não podemos exercer e bradar nossa real tradição, fé e crença. Nossa pátria foi ultrajada e largada. Mas, “longe vá... temor servil”[6]. Não podemos nos calar e consentir com o atual estado da nação e da sociedade, devemos combater. “Nós não somos donos da verdade. Nós temos o direito de lutar, o dever de lutar pela verdade”[7].

Todavia, os desafios são árduos e perniciosos, as provações físicas, mentais e morais são ad infinitum. “O homem sábio é livre, mesmo que seja um escravo, se souber restabelecer e reter sua liberdade eterna. Se ele for seu próprio senhor, então não terá um senhor. Nenhum humano pode intimida-ló”[8]. Assim, só os íntegros, honestos e estudiosos, resistirão às adversidades de nosso tempo e se libertarão dessa masmorra rumando ao alvorecer. Resistir como impávidos colossos.

Mas, se ousar em seguir outro caminho que não este, sofrerás duras consequências físicas, mentais e espirituais. “Não podemos pensar em fazer uma grande nação sem uma base religiosa 'sólida'[9].  Só com uma duradora base, que seja íntegra e pura no Catolicismo, poderemos resistir e combater as heresias e modernismo que invadem e ameaçam nosso país.

Extirpar, evidenciar e lutar contra os traidores que habitam e rondam a Santa Igreja são as nossa missões. Sem isso, será impossível salvar o nosso querido Brasil. Pois nosso país só se tornou vulnerável ao socialismo/comunismo e a suas modernidades, quando ocorreu a corrupção do clero e o esvaziamento das igrejas, fiéis soltos, sem orientação e atenção, o que acabou por resultar na maciça perda de Fé e na lenta e graduação implosão da ordem nacional. É de suma importância lembrar e ressaltar uma grande lição de Nosso Senhor Jesus Cristo, em que dizia: “Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a “morte.[10]”

A crescente e contínua devastação do país fomentou a incredulidade dos brasileiros. Hoje quem prega uma retomada à fé católica e uma retomada ou conquista da sanidade, é considerado um radical ou louco. “A mensagem de Cristo é impossível, mas não louca. É antes a sanidade pregada num planeta de lunáticos.[11]”

Os abusos e as dilapidações que a esquerda e a modernidade praticaram no nosso Brasil ultrapassaram o tolerável. Somos ainda uma nação órfã de uma legitima e séria representação política. “E como não há nenhuma 'direita' conservadora atuante no país, me parece claro que ainda somos um povo sem voz, e, um povo sem voz, especialmente um povo sem representação, está fadado ao arbítrio dos ditadores e aventureiros imbuídos de ressentimentos e vontades de poder”[12].

A marcha rumo à plena libertação dos grilhões revolucionários é longa e difícil. A guerra cultural e o resgate da alta cultura só estão no seu alvorecer. O que está surgindo nesse momento são pequenas "mudas", que, em algumas décadas, seguramente serão imponentes e sólidas árvores, as quais arborizarão nessa terra devastada. Pois agora, "Memória e desejo, aviva[13]" essa nação.

O lento alvorecer nacional será marcado pela retomada da sanidade mental das classes sociais e a retomada da Igreja pelos homens bons e de boa-vontade, assim como diz o evangelho. Quando todos entenderem que “ser conservador é não ter nenhuma proposta de sociedade, é aceitar que a própria sociedade presente vá encontrando pouco a pouco a solução para cada um de seus males, sem jamais perder de vista o fato de que, para cada novo mal que seja vencido, novos males aparecerão. Ser conservador é não ser jamais o portador de um futuro radiante, é ser o porta-voz da prudência e da sabedoria”[14].

A libertação dessa masmorra é muito mais que um simples dever de todo homem sério e íntegro. É antes de tudo, a busca pela salvação do seu país, é resgatar o Brasil dos ratos e vermes que desfilam e se aplumam pelos quatro cantos do país. Esses e vários outros motivos, sólidos e testados, que brando vivamente e efusivamente pelos quatro cantos de minha nação:

Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil![15]


Por: Salomão Campina

Bibliografia:

1. Va Pensiero, de Giuseppe Fortunino Francesco Verdi.
2. O Código dos Códigos, de Northrop Frye.
3. O Elogio do Conservadorismo, de João Camilo de Oliveira Torres.
4. Vamos ao que Interessa, de João Pereira Coutinho.
5. O Pianista, de Roman Polanski.
6. Hino do Império Brasileiro.
7. Alceu Amoroso Lima.
8. A Tradição Ocidental, de Eugen Joseph Weber.
9. O Elogio do Conservadorismo, de João Camilo de Oliveira Torres.
10. João 14.
11. Twelve Types, de G. K. Chesterton.
12. Prof. Daniel Fernandes.
13.Trecho de Os Homens Ocos, de T. S. Eliot.
14. Olavo de Carvalho, entrevista a Bruno Garschagen.
15. Hino do Império Brasileiro.



Resistiremos Até o Fim


Nas infindáveis tormentas das inquietantes noites que permeiam minha modesta e recatada vida, residem sérias malezas.  Assim, com minha mente tempestuosa, começo a me lembrar das infindáveis ruas desertas e bucólicas de minha cidade, que são tomadas por diversos transeuntes que vagueiam como cegos “zumbificados”, num puro reino do desconhecimento humano e de desgraça interior. "Nós somos os homens ocos"[1] que vagam desvairados e calados pela cidade insana e melancólica. Desta forma, observo sereno, calado e amedrontado, os inúmeros erros que habitam as ruas, avenidas, vielas, etc., de minha cidade.

Das inumeráveis mazelas que residem e agridem minha cidade, malezas estas que me atormentam e atentam profundamente contra mim, que chegam a rasgar meus olhos e minha mente como um louco desvairado, numa busca sanha por me matar, executam de modo desfigurado a perda da beleza, a perda da noção de estética arquitetônica, a perda da boa e velha simetria. Há infindáveis fachadas e mais fachadas que esboçam uma “força” para perfilar, mas não o possuem, ou nunca possuirão ânimo nem força para tal ato. Tentam, assim, de todas as formas se manterem de pé, mas sabem que estão em puro declínio. Assim, nas suas irregularidades horripilantes, negras fachadas, tortas e mal planejadas residências que há em minha cidade, elas atormentam e gritam desvairadas contra as pobres almas que vagueiam nas calçadas. As retas incertas e suas irregularidades possuem um “poder místico”, ao ponto de me deixarem ficar mui constrangido por observar o brutal e avassalador erro. O belo e o sublime definitivamente já estão inexistentes em minha cidade.

Há, assim, em minha cidade, uma “riqueza” vasta de almas atormentadas e zumbificadas pelo sistema que impera, e para muitas delas, esse sistema passa despercebido, algo quase que inexiste a elas nesse canto do mundo. Mas, essa legião de desavisados é obrigada a conviver amontoada, numa imposição severa e brutal, em outras palavras, essa legião é uma espécie de cortiço modernista democrático. "Ah, meu amigo! A infelicidade é uma doença contagiosa…."[2]. Essa ignóbil e infame vida dos desconhecidos e incautos cidadãos brasileiros dá uma tremenda repulsa nos acordados, nos incomodados, nos despertados, os quais olham atentos e tristes, esse indecoroso sistema forjado por Sauron[3].

Alastra-se, por causa disso, em minha mente, como água derramada sobre a mesa, essas ideias e sensações horríveis e tenebrosas, ideias que me atormentam incansavelmente, sempre me atacam quando eu resolvo adentrar nas ruas negras. Ao simples pisar no chão, já sinto uma profunda dor em meu corpo, já sou tomado por um mal-estar e tontura incontroláveis. Todavia, foi por causa dessas batidas costumeiras da vida, que me despertei para o real mundo. E nesse despertar, deram-me uma espada que, desde o primeiro dia, uso contra o mal que ronda e espreita a mim e a meu país. Muitas dessas asquerosas e vis criaturas malignas, que controlam as engrenagens carcomidas dessa máquina colossal e animal, jamais foram indagadas com a seguinte frase: “Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil[4]? ”

Se houvesse um modo de lhes indagar isso, todos, sem expressão, imediatamente fugiriam dessa indagação franca. Rumariam às catacumbas, ou atacariam seus indagadores. Pois a verdade, além de incomodar, reabre os ferimentos nessas criaturas. Os lacaios do regime maquiavélico tratam logo de empinar seus mastodônticos narizes, desfilando suas corcundas e seus corpos calejados e cansados pelos suntuosos corredores do Estamento Burocrático. Muitos desses vermes creem piamente que os pobres e inválidos devem viver e conviverem sempre juntos. Amontoados, jogados e esquecidos. Tais lacaios ditadores legam ao povo restos das migalhas e, para satisfazerem suas sedes, dão ao povo o chorume que escorre de suas fossas bocais. O mal e o horrível os distribuam sem moderação e atenção aos desgraçados. Já aos honrosos e amiguinhos do sistema, distribua a lei e a ostentação.

Mas, em meio a esse dificultoso transpassar da longa tormenta mental e espiritual, misteriosamente tudo cessa de súbito. A neblina que antes envolvia as ruas e minha mente dissipa-se misteriosamente. As sensações horríveis desaparecem do meu corpo. Então, eis que surge uma radiante e simples Igreja Católica. Não perco muito o meu tempo, adentro a Igreja, caminho pela nave central, e trato logo de ir me sentando. Sento em um de seus longos bancos, que fica bem perto do altar. E outro mistério surge em mim:  O choro. Desabo-me em profundas e incessantes lágrimas e mais lágrimas, junto com o tremor de ser culpado, de ser omisso, de ficar, às vezes, calado, quando deveria falar, falar e muito. Logo me dou o seguinte veredito: culpado. Compactuei indiretamente com o atual estado, vi e convivi com o atual estado, e acabei consentindo. O peso de consentir e de me calar vem num só golpe. Tento rapidamente enxugar minhas lágrimas, e nessa rápida e triste ação, levanto, aos poucos, minha cabeça, a fim de mirrar a Santa Imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E começo a pensar comigo mesmo... quando o Santo Deus resolve sutilmente tocar as pessoas, um toque bem suave e muito certeiro, na quase totalidade das vezes, ele procura sempre tocá-las através de suas belas e sublimes obras. Sejam eles literárias, monumentos, milagres, ou mesmo pelas adversidades do cotidiano que há por aí e a beleza natural. Mas, quando você é tocado pelo Santo Deus através das adversidades do dia a dia, você é intimado a lutar, um chamado que te obriga a lutar pela restauração da normalidade. “O cristão, todavia, mesmo aquele que formalmente perdeu a Fé e vive fora da Igreja, não poderá ver impunemente o triunfo do mal. Reagirá, sempre, de um modo qualquer[5]“.

Desta forma, muito bem-feita e articulada por Deus, uma dessas obras toca-me profundamente, um toque inesquecível e revigorante para minha pobre alma. Esse toque foi relembrar a grandiosa obra: "O Senhor dos Anéis"[6], a monumental obra, baseada na Bíblia, escrita por nada mais nada menos que J. R. R. Tolkien. Se eu fosse tentar resumir a história da humanidade através dessas obras, certamente iria utilizar a esplendorosa passagem da épica batalha de Gandalf Vs Balrog.

Essa passagem se desenrolou da seguinte forma: Durante a travessia das Minas de Moria[7], onde o império da penumbra maligna alastrou-se e dominou, a sociedade do anel resolve adentrar nas minas e passar, cortando o caminho. Mas, infelizmente, não saiu tão bem como o planejado. Em Moria, travou-se uma das batalhas mais mortíferas e ferozes da Terra-média.  Um embate onde estava em jogo mais do que a autopreservação, mas sim a preservação dos seus semelhantes, a preservação de um mundo e de suas tradições. Assim, numa aventura homérica, o Grande Gandalf luta com todas as suas forças com um opoente descomunal, imensamente forte e poderoso. Mas o Cinzento não recua, não esmorece diante do seu algoz. Temer o mal, jamais! Luta até o fim de suas energias. E são dois os grandes ensinamentos que o Mago ensina aos atentos leitores: a) os verdadeiros guerreiros preferem tombar no campo de batalha do que ver sua terra devastada e arruinada pelo mal. b) Gandalf, no início da luta, profere uma das frases mais emblemáticas do épico: "You Shall Not Pass!". Parafraseando, essa frase quer dizer o seguinte: Jamais alguém, em sã consciência, deixará o inimigo adentrar os portões do império. Não permitirá mal algum, em sua terra natal.

Já na tradição da civilização judaico-cristã, há uma frase de suma importância do Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a seguinte: "O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?[8]" Podemos, ao longo da vida, ou na maioria do tempo, (mas não todo o tempo de nossa existência) vagar no "vale das sombras". O cristão, em hipótese alguma, deve temer mal algum, seja ele a face que assumir: islâmicos, socialistas/comunistas, heresias, modernismos, Nova-Era, etc, etc. (Poderíamos seguir essa lista infindavelmente, pois o mal prolifera e se multiplica sobre a face da terra, assumindo as mais variadas formas e configurações ideológicas, políticas, religiosas, secularistas, filosóficas, etc.). Mas, diante de tudo isso, o nosso dever é: Temer nunca, lutar sempre! “O cristão sabe que a história será sempre um tecido de males e bens, de luz e de sombras, e que no dia do Juízo é que o joio será separado do trigo. Até lá, ambos crescerão juntos[9]”.

Desgastante será insano e maligno, vai ser esse vagar rumo ao céu, rumo à libertação individual. Mas, só os verdadeiros combatentes, aqueles que possuem Fé, que são tementes ao Santo Deus e a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, aqueles que lutam todo santo dia, terão essa retribuição por todo esse tempo de combate. Ademais, vale ressaltar também o que o sapientíssimo Chesterton afirma: “quando os homens não acreditam em Deus, eles não passam a acreditar em nada; eles acreditam simplesmente em qualquer coisa[10]".

Jamais devemos esquecer nossas origens, nossas verdadeiras bases morais, intelectuais e espirituais. As reais tradições estão aí, basta procurá-las e se investir delas.  E nunca se rebelar contra a Santa Igreja, pois só ela construiu essa magnífica civilização chamada de Civilização Ocidental.

E, antes que eu me esqueça, segue a definição do que nos une e nos convoca à luta como irmãos:  “O conservadorismo é a filosofia do vínculo afetivo. Estamos sentimentalmente ligados às coisas que amamos e que desejamos proteger contra a decadência. Sabemos, contudo, que tais coisas não podem durar para sempre. Enquanto isso devemos estudar os modos pelos quais podemos conservá-las durante todas as mudanças pelas quais devem inevitavelmente passar, de modo que nossas vidas continuem sendo vividas em um espírito de boa vontade e de gratidão[11]”.


Por: Salomão Campina

Bibliografia:

1. Trecho de Os Homens Ocos, de T.S. Eliot.
2. Gente Pobre, de Fiodor Dostoievski.
3. Sauron é o o principal inimigo do Mundo, tal como foi seu antecessor. Sendo o principal promotor da desgraça na Terra-média.
4. Trecho de Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa.
5. O Elogio do Conservadorismo, de João Camilo de Oliveira Torres.
6. O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien.
7. O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel, de  J. R. R. Tolkien.
8. Salmos 23:4.
9. O Elogio do Conservadorismo, de João Camilo de Oliveira Torres.
10. O Elogio do Conservadorismo, de João Camilo de Oliveira Torres.
11.  Como Ser um Conservador, de Sir Roger Scruton.



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